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    Competência, máquina ou voto envergonhado? Adriane contrariou pesquisas

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    A eleição do segundo turno em Campo Grande foi um marco para o Município, com a primeira mulher prefeita, mas também pela falta de paixão no pleito.

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    A vitória de Adriane Lopes (PP) contrariou pesquisas, mas não surpreende quem acompanha política diariamente. O espanto seria o mesmo se Rose Modesto (União) tivesse vencido, derrotando máquinas.

    Abre-se espaço para as teorias da conspiração, muita gente tirando foto com leão morto e alguns se achando mais protagonistas do que a própria candidata.

    Adriane viveu momentos difíceis ao romper com Marquinhos Trad (PSD), responsável por apresentá-la ao mundo político, ainda que seu esposo, Lídio Lopes já fosse deputado.

    Desconhecida, ela sofreu para mostrar que tinha assumido o cargo e também para se desvincular do ex-aliado, em uma divisão do “reino”.

    Os dois brigaram durante a campanha de Marquinhos para o governo e Adriane não conseguiu cumprir a promessa que fez chorando quando ele passou o cargo para ela no gabinete: ser fiel, por estar ali graças a Deus em primeiro lugar e a ele. O motivo? Só eles sabem.

    Fator Tereza

    Adriane começou a virada ao se aproximar da senadora Tereza Cristina (PP). De desacreditada, com muita gente dizendo que ela não disputaria a reeleição, começou a ser colocada na briga.

    A duas levaram um golpe ao serem trocadas por Jair Bolsonaro (PL), mas Tereza pegou na mão de Adriane e seguiu, apostando nos eleitores da Capital que haviam lhe proporcionado uma vitória contundente na disputa pelo Senado.

    Adriane trocou três vezes o Secretário de Governo, em um curto espaço de tempo. Mário César, João Rocha e, por fim, Marco Aurélio Santullo, braço direito e os olhos de Tereza na gestão.

    A fórmula deu certo. Adriane e o esposo saíram do controle político, que passou para as mãos de Tereza. Contrariando pesquisas, elas chegaram ao segundo turno e, repetindo o nó nos levantamentos, venceram, dentro da margem de erro sinalizada pela maioria.

    Máquina e reeleição

    O histórico da Capital mostra que o campo-grandense tem gosto pela reeleição. Foi assim com André Puccinelli, Nelsinho Trad e Marquinhos Trad, todos reeleitos no primeiro turno.

    Alcides Bernal quebrou a escrita, mas quase chegou ao segundo turno, mesmo passando por grandes dificuldades, cassação e retorno ao mandato.

    Adriane também passou aperto e precisou de dois turnos para vencer a segunda eleição mais apertada da história recente da Capital, atrás da famosa disputa de André Puccinelli e Zeca do PT, que terminou com diferença mínima de 411 votos de diferença.

    Rose Modesto repetiu por diversas vezes que chegou ao segundo turno enfrentando máquinas, nome dado ao poderio de quem tem a chave do cofre da prefeitura ou governo.

    Na campanha dela, o medo era de que esse poder garantisse a reeleição, frente a uma expectativa de que a prefeitura teria 11 mil cargos. Nesta conta, Adriane chegaria a 220 mil votos (terminou com 222.699), suficientes para uma vitória.

    Eleição sem paixão ou voto envergonhado?

    A derrota do governo no primeiro turno repetiu uma tradição de não eleger candidatos do governo na Capital. André Puccinelli perdeu com Giroto, Reinaldo Azambuja com Rose Modesto e Eduardo Riedel com Beto Pereira.

    Apesar da disputa acirrada, o pleito foi marcado pela falta de empolgação do eleitor com as candidaturas, desde o primeiro turno, confirmando tese de uma das lideranças de campanha nesta eleição: “será a eleição dos sem votos”.

    Não se viu, como em outros tempos, um candidato popular, com uma paixão do eleitor, capaz de derrotar qualquer máquina. Essa intensidade ficou girando em torno de quem dependia da vitória de seu candidato.

    Prova disso, o recorde de abstenção, de 184.812 (28,60% dos aptos ao voto); 16.871 (3,66%) votos em branco e 11.754 (2.54%) votos nulos.

    Com ou sem paixão, Adriane venceu, contrariando a maioria das pesquisas divulgadas. Para alguns, algo esperado, frente a expectativa de disputa acirrada. A diferença ficou dentro da margem de erro de uma boa parte das pesquisas.

    Para outros, pode ser o caso do chamado voto silencioso ou envergonhado, uma prática comum nos últimos anos, marcados por uma decepção grande com a classe política.

    Nesta eleição, era comum observar o desinteresse da população pelos candidatos e política de um modo geral. O que mais se ouvia era gente dizendo que votaria em “fulano ou sicrano”.

    Competência

    A eleição do segundo turno termina com um carimbo gigante de Tereza Cristina como vitoriosa, ganhando até do seu companheiro, Jair Bolsonaro.

    Adriane se consolida como a primeira mulher eleita, no voto, como prefeita de Campo Grande e entrou de vez para o posto de liderança política. Pode dizer com todas as letras que não está no cargo sem ter votos.

    Ao comentar o resultado da eleição, a prefeita reeleita avaliou que a população entendeu que dois anos e meio é pouco e lhe deu uma oportunidade de continuar fazendo as transformações que iniciou.

    Para o segundo mandato (primeiro que estará os quatro anos no cargo), prometeu manter a equipe, que classificou como de excelência, e tem como principais projetos a construção de um hospital municipal, entrega de todas as obras paradas e fim das filas em centros de educação infantil.

    Fonte: Investiga MS

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