Análise técnica contesta críticas ambientais e reforça que intervenções não afetam a dinâmica do rio, nem o modo de vida das comunidades ribeirinhas.
Um estudo de viabilidade hidráulica e ambiental realizado pela empresa argentina Serman & Associados concluiu que as obras de dragagem no Rio Paraguai, entre Corumbá e Foz do Apa, não trarão impactos significativos à dinâmica hídrica do rio. O trecho, com cerca de 600 km, faz parte do projeto da Hidrovia do Paraguai, que o governo federal pretende conceder à iniciativa privada ainda neste ano.
A análise, encomendada pela Antaq (Agência Nacional de Transportes Aquaviários), rebate as críticas de setores ambientalistas. Segundo o relatório, eventuais variações no nível da água após a dragagem serão mínimas, entre 0,5 cm e 1 cm, seja na cheia ou na seca. Já a alteração na velocidade da água será pontual, com variação de apenas 2 cm por segundo.
De acordo com os especialistas, os efeitos não se acumulam ao longo do rio. As variações de nível “tendem a desaparecer a montante” e não causam nenhum tipo de desequilíbrio. “As mudanças hidrodinâmicas entre os cenários com e sem dragagem são tão pequenas que se tornam indetectáveis”, detalha o laudo.
Sedimentação e ecossistema não serão afetados
O estudo também avaliou o comportamento dos sedimentos. O material retirado durante a dragagem será depositado em áreas específicas e, com o tempo, será redistribuído pelo próprio fluxo natural do rio. Não haverá elevação permanente do leito.
Outro ponto importante é que a dragagem de manutenção não interfere nos ciclos naturais do Pantanal. Ou seja, não afeta o início ou a duração das inundações, fundamentais para a reprodução dos peixes e a oferta de alimentos. As áreas de inundação também permanecem inalteradas, assim como o cotidiano das comunidades ribeirinhas.
Além disso, os trechos mais críticos devem receber intervenções com duração de apenas alguns dias consecutivos, segundo o planejamento apresentado.
Dragagem é feita há décadas em outro trecho
A dragagem já ocorre anualmente há mais de 20 anos no trecho entre Corumbá e Cáceres (MT), com licenciamento regular do Ibama. Mesmo assim, a dragagem entre Corumbá e Foz do Apa enfrenta resistências.
Durante o evento Diálogos Hidroviáveis Internacional, realizado em Corumbá no dia 5, o presidente da Adecon (Agência de Desenvolvimento Sustentável das Hidrovias e dos Corredores de Exportação), Adalberto Tokarski, criticou a postura do órgão ambiental. “O Ibama cobra o que não precisa. Navegamos nesse trecho há mais de 100 anos sem causar impacto ao Pantanal”, afirmou.
Segundo o Dnit, o Ibama já enviou o termo de referência para a elaboração do EIA-RIMA, necessário para liberar a obra. Caso a concessão não avance, o próprio Dnit deve executar o serviço, previsto desde 2021.


