Uma explosão devastadora em uma mina de carvão na província de Shanxi, na China, resultou na morte de pelo menos 90 pessoas e deixou 123 feridos, quatro deles em estado crítico. O incidente, ocorrido na noite de ontem, sexta-feira (22), na mina de Liushenyu, é classificado como o mais letal do setor carbonífero chinês nos últimos 17 anos. A agência oficial Xinhua informou que 247 trabalhadores estavam no subsolo no momento da detonação, às 19h29 (horário local).
O balanço de vítimas fatais subiu drasticamente ao longo das horas, à medida que as equipes de resgate avançavam em áreas com altos níveis de monóxido de carbono, um gás inodoro e letal gerado por explosões de metano (grisú). Das 123 pessoas hospitalizadas, 33 já receberam alta até a tarde de hoje (23), enquanto uma força-tarefa de 755 profissionais de saúde e emergência segue mobilizada nas operações de resgate e assistência.
O sobrevivente Wang Yong descreveu à emissora estatal CCTV o horror do momento. “Vi uma nuvem de fumaça e senti cheiro de enxofre. Pessoas sufocavam ao meu redor antes de eu perder a consciência”, relatou Wang, que conseguiu sair da mina uma hora depois, acompanhado de colegas. Acredita-se que a explosão tenha sido causada pelo acúmulo de gás metano devido à falha na ventilação, que entrou em contato com faíscas.
Em resposta à tragédia, o presidente Xi Jinping ordenou a mobilização de “todos os recursos” para o tratamento dos feridos e exigiu uma investigação completa e rigorosa sobre as causas do acidente. “Todas as regiões devem aprender com este acidente e manter vigilância constante para prevenir e conter desastres graves”, afirmou o líder chinês. Um responsável pela mineradora já foi detido pelas autoridades para prestar esclarecimentos.
Apesar de melhorias recentes nos protocolos de segurança e na transparência da cobertura midiática, acidentes fatais continuam recorrentes na China, maior consumidora global de carvão. Este é o pior incidente do tipo desde novembro de 2009, quando uma explosão em Heilongjiang ceifou 108 vidas. Mais recentemente, em fevereiro de 2023, o desabamento de uma mina na Mongólia Interior deixou 53 mortos. Atualmente, o setor carbonífero chinês é uma peça-chave na matriz energética do país e emprega mais de 1,5 milhão de pessoas.


