Um acordo entre Estados Unidos e Irã pode reabrir o Estreito de Ormuz e provocar uma queda significativa nos preços de energia, aliviando a inflação e abrindo caminho para o Federal Reserve (Fed) reduzir os juros em 2026. A declaração foi feita por Kevin Hassett, diretor do Conselho Econômico Nacional da Casa Branca, em entrevista ao programa Sunday Morning Futures, da Fox News, neste domingo, 23 de maio de 2026.
Hassett evitou antecipar um anúncio oficial, mas destacou que o presidente dos EUA, Donald Trump, e o secretário de Estado americano, Marco Rubio, já se manifestaram sobre a proximidade de um desfecho. No mesmo dia, Trump afirmou em rede social que as negociações com Teerã avançavam de forma “ordenada e construtiva”.
Impacto nos Preços e Oferta de Petróleo
As negociações ocorrem em um cenário onde americanos pagam mais de US$ 4,50 por galão na gasolina e mais de US$ 5,50 por galão no diesel. O barril de petróleo se mantém próximo a US$ 100, segundo dados citados na entrevista. Hassett ressaltou que a Casa Branca já observa sinais de cautela no mercado, com compradores evitando novas aquisições de petróleo à vista, na expectativa de queda acentuada dos preços.
O assessor de Trump explicou que há um volume considerável de petróleo represado na região. Existe também capacidade adicional de produção pronta para operar, especialmente na Arábia Saudita e nos Emirados Árabes Unidos. “Assim que houver um acordo, os estreitos serão abertos e o petróleo voltará a fluir”, afirmou Hassett. Ele acrescentou que a normalização do fluxo pode liberar uma oferta relevante. “Há uma quantidade muito grande de petróleo que pode chegar ao mercado”, disse.
Hassett lembrou que, no início da crise, previsões indicavam que o barril superaria US$ 150 caso o estreito fosse fechado. No entanto, a cotação permaneceu abaixo de US$ 100. “O petróleo surpreendeu para baixo de forma significativa. Espero que a gasolina também surpreenda para baixo assim que os estreitos forem abertos”, projetou.
Inflação e Política Monetária
Na avaliação de Hassett, a energia representa o principal vetor de pressão sobre os preços, mas não o único. Ele citou a desregulação, iniciativas para reduzir preços de alimentos, o avanço da inteligência artificial e o aumento dos investimentos como fatores que atuam na direção oposta. O núcleo da inflação, que exclui alimentos e energia, “quase não se mexeu” nos últimos relatórios. “Muita gente trata a energia como se fosse toda a história. Mas não é. E nem é a parte mais importante da história”, declarou.
Com a energia cedendo, Hassett prevê a possibilidade de “inflação negativa” em 2026, impulsionada pela queda dos preços de energia. “Quando os preços de energia voltarem a cair, a inflação pode ficar negativa por esse efeito”, explicou. Nesse cenário, haveria “bastante espaço para o Fed fazer a coisa certa e reduzir os juros”. As declarações sobre o acordo e seus efeitos ocorrem após Kevin Warsh tomar posse como presidente do Fed, sucedendo Jerome Powell.


