A Câmara dos Deputados deu um passo histórico ontem, 27 de maio de 2026, ao aprovar a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que visa reduzir a jornada máxima de trabalho de 44 para 40 horas semanais, garantindo dois dias de repouso remunerado e o fim da controversa escala 6×1, sem qualquer redução salarial. A votação em plenário ocorreu após a aprovação pela comissão especial da Casa.
Apesar da vitória na Câmara, a deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) expressou cautela em entrevista concedida ontem ao Jornal Jovem Pan. Para a parlamentar, o Senado Federal representa uma “grande incógnita” para a tramitação da matéria, e será preciso replicar a estratégia de mobilização popular para garantir a aprovação na Casa Alta.
“Vamos ter que mostrar que é uma matéria importante, que tem um apelo popular e que a sociedade está com os olhos atentos à essa votação”, afirmou Hilton, que planeja buscar um encontro com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), para “sentir a temperatura” e entender o comportamento dos senadores diante das possíveis “manobras”.
O texto aprovado, relatado pelo deputado federal Leo Prates (Republicanos-BA), é defendido como uma medida essencial para a dignidade do trabalhador. “A transição para a jornada semanal de 40 horas, aliada à garantia de dois dias de repouso semanal remunerado e à manutenção dos salários, é uma medida viável, urgente e necessária. Ela resgata a promessa constitucional de valorização do trabalho e dignidade da pessoa humana”, argumentou Prates.
A proposta chega ao Senado com o respaldo do Palácio do Planalto e da própria Câmara, conforme informado na última segunda-feira (25) pelo presidente da Casa Baixa, Hugo Motta (Republicanos-PB). A expectativa é que a ansiedade popular pela medida, agora “triplicada” após a aprovação na Câmara, sirva como motor para destravar a matéria no Senado, segundo Erika Hilton.


