O Departamento de Estado dos Estados Unidos designou, nesta quinta-feira (28 de maio de 2026), o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas, uma decisão que gerou imediata preocupação no Brasil. O Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) lamentou a medida, que entrará em vigor a partir de 5 de junho de 2026, alertando para suas profundas implicações na soberania e autonomia nacional.
As facções brasileiras foram classificadas como “terroristas globais especialmente designados” (SDGTs) e “organizações terroristas estrangeiras” (FTOs) pelo governo americano. A informação foi confirmada pelo Secretário de Estado Marco Rubio, membro do governo Trump, em uma publicação na rede social X (antigo Twitter), onde ele reiterou o compromisso de usar “todas as ferramentas disponíveis para proteger nossa nação e nossos interesses de segurança nacional”.
Em nota oficial, o FBSP, embora reconhecendo a decisão como “soberana do país norte-americano”, criticou a forma como o tema foi tratado. A instituição lamentou que uma questão com tamanha relevância para a economia, o sistema financeiro e a cooperação regional e internacional do Brasil tenha sido “capturada pela disputa eleitoral” nos Estados Unidos.
Carolina Ricardo, diretora-executiva do Instituto Sou da Paz, reforçou a crítica em entrevista à Jovem Pan, afirmando que o benefício da classificação é “exclusivamente para o governo americano”. Ela comparou a decisão a ações prévias dos EUA na Venezuela, como a interceptação de navios, que podem “violar as leis internacionais” e não geram benefícios para o país alvo da ação.
Ricardo expressou ceticismo quanto à eficácia da medida para resolver problemas de segurança no Brasil, advertindo que ela pode “dificultar a cooperação entre as instituições dos dois países”. Em contrapartida, a diretora destacou a importância de acordos de cooperação já existentes, como o que o governo americano mantém com o Brasil e a Receita Federal para combater o tráfico de armas ilegais, e o sistema internacional “desarma”, que agiliza a troca de informações para investigações mais eficazes.
Apesar do lamento, o FBSP ressaltou a “longa tradição de cooperação policial” entre Estados Unidos e Brasil, destacando a atuação coordenada ao longo das décadas, especialmente na troca de informações de inteligência no combate à lavagem de dinheiro. A expectativa, segundo o Fórum, é que essa colaboração essencial possa prosseguir.


