A Polícia Federal deflagrou na última terça-feira, 26 de maio, uma operação que mirou o ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), e outros alvos, em meio a investigações sobre supostas irregularidades em aportes de R$ 3 bilhões do Rioprevidência em fundos ligados ao Banco Master. A apuração se baseia em diálogos obtidos no celular do banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Master, que revelam a proximidade entre os dois e jantares de alto custo pagos por Vorcaro a Castro em Nova York.
Entre as conversas que fundamentaram a operação, destacam-se agradecimentos enviados por Castro a Vorcaro após este ter custeado um jantar de R$ 66 mil (equivalente a US$ 13 mil na época) em um restaurante luxuoso de Nova York, o Nusr-Et Steakhouse. Os trechos dos diálogos, acessados pelo Estadão e divulgados pela GloboNews, indicam que a refeição ocorreu em 11 de maio de 2023.
Na ocasião, após Vorcaro enviar o endereço do restaurante, Castro respondeu: “Deu sim amigo. Muito obrigado. Amigo, foi uma experiência incrível. Muito obrigado”. A investigação aponta que, um minuto antes da mensagem de Castro, Vorcaro recebeu a cobrança de US$ 13 mil, confirmando o pagamento. Um ano depois, em 12 de maio de 2024, um novo jantar no mesmo local foi reservado por Vorcaro para o então governador, que novamente agradeceu com a frase: “Vc não existe”.
Em conversas com um organizador, o banqueiro orientou a pedir vinhos e um prato especial, sugerindo “aquela carne de ouro ou alguma especial pra ele ir”, referindo-se aos famosos cortes com folhas de ouro do restaurante. Além dos encontros internacionais, a Polícia Federal também registrou reuniões entre Vorcaro e Cláudio Castro em território nacional, incluindo a residência oficial do ex-governador no Rio de Janeiro.
Para os investigadores, a relação próxima entre Castro e Vorcaro teria auxiliado na liberação de recursos do Rioprevidência para o Banco Master, com pagamentos ocorrendo em períodos próximos aos encontros. Contudo, as mensagens de WhatsApp não fazem menção direta ao Rioprevidência. Em nota, a defesa de Cláudio Castro negou veementemente qualquer interferência do ex-governador na liberação dos recursos, bem como qualquer relação pessoal indevida, classificando os contatos como parte de agendas oficiais, institucionais, sociais e de networking, comuns ao cargo público.


