A desistência do governador Cláudio Castro (PL) em disputar uma das vagas ao Senado pelo Rio de Janeiro, confirmada nesta quinta-feira (28), reacendeu uma intensa disputa interna no Partido Liberal fluminense. O movimento ocorre em meio a crescentes preocupações com o nome de Márcio Canella, prefeito de Belford Roxo e presidente do União Brasil no estado, que se tornou alvo de uma investigação do Ministério Público.
Fontes ouvidas pela reportagem indicam que uma ala do PL tem manifestado profundo desconforto com a pré-candidatura de Canella para as eleições deste ano. O principal receio dos caciques do partido reside em uma eventual operação policial envolvendo o político, atualmente sob inquérito do Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) por um suposto esquema de postos de gasolina controlados por laranjas. A pressão interna defende uma “dupla substituição”: tanto do nome do próprio PL quanto do indicado pelo União Brasil, antes que a campanha eleitoral ganhe as ruas.
Márcio Canella consolidou seu poder político recentemente. Em março deste ano, ele foi alçado à presidência do União Brasil-RJ após a inativação do diretório estadual, anteriormente comandado por Rodrigo Bacellar, cassado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Ex-deputado estadual por três mandatos e prefeito reeleito em primeiro turno em 2024, Canella conta com o apoio de figuras importantes como o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o presidente nacional do União Brasil, Antônio Rueda.
Contudo, a apuração aberta pelo MPRJ acendeu um sinal de alerta no PL e fortaleceu o argumento dos que desejam rever a composição da chapa para o Senado. Internamente, os deputados federais Carlos Jordy (PL-RJ) e Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), além do senador Carlos Portinho (PL-RJ), são os nomes mais cotados para herdar a vaga que seria disputada por Cláudio Castro, em um esforço para alinhar a chapa a um perfil mais bolsonarista.


