Estados Unidos e Irã divergem publicamente sobre os termos de um possível acordo de paz. As partes negociam há semanas para encerrar um conflito que envolveu o Oriente Médio e sacode a economia mundial. O presidente Donald Trump insiste em condições americanas, enquanto Teerã refuta elementos-chave da descrição do pacto feita por Washington.
Condições Americanas e a Resposta Iraniana
Um funcionário da Casa Branca declarou à AFP que o presidente Trump só assinará um acordo de paz com o Irã que respeitar suas condições. “O presidente Trump só fará um acordo que for bom para os Estados Unidos e respeitar suas linhas vermelhas”, afirmou a fonte. A principal exigência americana é clara: “O Irã não pode possuir uma arma nuclear.”
Donald Trump detalhou em uma publicação que Teerã retiraria minas no Estreito de Ormuz e encerraria seu bloqueio à via marítima “sem pedágios”. Em contrapartida, os Estados Unidos suspenderiam o bloqueio paralelo aos portos iranianos. Os dois países também coordenariam a retirada e destruição do urânio enriquecido do Irã. Trump ainda afirmou: “nenhum dinheiro será trocado, até novo aviso.”
A agência de notícias iraniana Fars, porém, rebateu as declarações do presidente americano. Citando fontes iranianas, a Fars descreveu as afirmações de Trump como uma “mistura de verdade e mentira”. O Irã exige “a liberação imediata de 12 bilhões de dólares em ativos congelados” e condiciona o avanço das negociações a este pagamento. “Até que esse pagamento seja efetuado, o Irã não passará à fase seguinte das negociações”, disseram as fontes.
Em relação à reabertura sem pedágios de Ormuz, as fontes iranianas afirmaram que “não existe tal cláusula no texto do acordo”. O comentário sobre a destruição do material nuclear iraniano “carece de fundamento”, segundo a Fars. A publicação de Trump ocorreu enquanto o principal diplomata iraniano sugeria que os Estados Unidos bloqueavam um acordo.
Otimismo e Impacto no Mercado
Apesar do impasse, as esperanças de um acordo aumentaram na última quinta-feira, 29 de maio, após autoridades americanas demonstrarem otimismo. O vice-presidente JD Vance disse a jornalistas que “muitos avanços” haviam sido alcançados. Este otimismo impulsionou as bolsas dos Estados Unidos e da Ásia nesta sexta-feira, 30 de maio, enquanto os preços do petróleo recuaram levemente.
A tensão entre Washington e Teerã reflete um cenário internacional complexo, onde a política externa americana tem sido um ponto central de debate. Recentemente, decisões dos EUA, como a classificação de facções criminosas brasileiras como terroristas, geraram amplas discussões sobre soberania e alinhamentos geopolíticos. O governo brasileiro, por exemplo, reagiu firmemente a essa classificação, ressaltando a importância do respeito à autonomia nacional.


