As negociações indiretas entre Estados Unidos e Irã para um acordo de paz duradouro no Oriente Médio atingiram um ponto crítico, com o ex-presidente Donald Trump elevando as exigências e ameaçando a retomada da guerra. Washington reiterou neste sábado (30) que possui os meios para intensificar o conflito caso suas “linhas vermelhas” não sejam respeitadas, marcando um pico de tensão após os confrontos mais graves desde a trégua de 8 de abril.
Em publicações na Truth Social na sexta-feira (29), Trump foi categórico ao afirmar que “o Irã deve aceitar que nunca terá armas nucleares” e demandou a “DESTRUIÇÃO” dos estoques de urânio altamente enriquecido da república islâmica. A questão nuclear é um dos principais pontos de atrito, juntamente com o controle do estratégico Estreito de Ormuz, que o Irã mantém praticamente bloqueado desde o início da guerra. “Deve ser aberto imediatamente”, afirmou Trump, enquanto seu governo impõe, por sua vez, um bloqueio aos portos iranianos.
Estados Unidos e Israel, que desencadearam a guerra com um ataque conjunto em 28 de fevereiro contra o Irã, acusam Teerã de buscar a arma atômica, algo que o país persa nega veementemente. O Irã insiste em discutir a questão nuclear apenas após a assinatura de um protocolo de acordo mais amplo, que incluiria também o desbloqueio de bilhões de dólares em ativos iranianos congelados pelos EUA. A emissora estatal Irib chegou a mencionar um esboço “não oficial” de liberação de US$ 12 bilhões, prontamente rechaçado pela Casa Branca como uma “invenção”.
Sobre o Estreito de Ormuz, rota vital para o comércio global de hidrocarbonetos, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baqaei, defendeu a “situação especial” da passagem, localizada em águas territoriais iranianas e omanis. O parlamentar iraniano Alireza Salimi reforçou à agência Isna que apenas Irã e Omã estão “habilitados a decidir” sobre sua gestão, enquanto marinheiros iranianos citados pela agência Tasnim relatam que os EUA ainda impedem a circulação de seus navios comerciais.
Apesar de fontes em Washington terem mencionado na quinta-feira (28) uma possível prorrogação de 60 dias do cessar-fogo, as negociações continuam emperradas. Um funcionário da Casa Branca reiterou à AFP na sexta-feira (29) que “o presidente Trump só fará um acordo que seja bom para os Estados Unidos e respeite suas linhas vermelhas”. O Secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, advertiu neste sábado (30) que seu país está preparado para qualquer cenário, mantendo a incerteza sobre o desfecho da diplomacia.


