O memorando de entendimento entre Irã e Estados Unidos retornou a Teerã neste domingo, 31 de maio de 2026, após uma terceira rodada de edições significativas impostas pelo presidente norte-americano, Donald Trump. Mediadores de ambos os países continuam em discussões intensas, buscando um avanço em um processo que permanece em um impasse delicado, conforme apurou a CBS.
As alterações de Trump, realizadas na sexta-feira e descritas por fontes como “um tanto significativas”, incluem a enfática exigência de que o Irã “nunca terá armas nucleares” e que seus estoques de urânio altamente enriquecido sejam “DESTRUÍDOS”, conforme publicou o próprio presidente em sua rede Truth Social. Essa postura endurecida surge em meio a uma série de trocas de propostas que têm circulado entre Washington e Teerã, sem um resultado concreto aparente.
Em resposta, o ministro de Relações Exteriores iraniano, Seyed Abbas Araghchi, confirmou neste domingo à mídia local a continuidade do intercâmbio de mensagens, mas alertou contra conclusões precipitadas. “Tudo o que está sendo dito neste momento são especulações e não devem ser levadas a sério”, pontuou. Teerã, por sua vez, exige o desbloqueio de bilhões de dólares em ativos iranianos congelados pelos Estados Unidos, com a emissora estatal Irib mencionando um esboço “não oficial” que incluiria a liberação de 12 bilhões de dólares (cerca de R$ 60,7 bilhões).
A escalada retórica acompanha as negociações. No sábado, os Estados Unidos voltaram a ameaçar o Irã, com o secretário de Defesa, Pete Hegseth, afirmando em Singapura que seu país é “mais do que capaz” de retomar as hostilidades “se isso for necessário”, reiterando que as “linhas vermelhas” de Washington precisam ser respeitadas para qualquer acordo de paz. Apesar de discussões sobre uma possível prorrogação de 60 dias para o cessar-fogo, as negociações permanecem emperradas, com a sombra de um conflito persistindo sobre o diálogo diplomático.


