Nesta terça-feira, 2 de junho de 2026, o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, publicou em sua rede social Truth Social duas fotografias ao lado do pré-candidato à presidência do Brasil, Flávio Bolsonaro (PL), no Salão Oval da Casa Branca. As imagens, que mostram também Eduardo Bolsonaro, surgem exatamente uma semana após a visita de Flávio a Washington e em um momento de alta tensão diplomática e política, marcado pela proposta de tarifas americanas sobre o Brasil e críticas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Acompanhando as fotos, Trump descreveu Flávio Bolsonaro como “um jovem inteligente que ama muito o seu país”, marcando a primeira manifestação pública do ex-presidente americano sobre o encontro. A visita de Flávio, ocorrida na terça-feira, 26 de maio, tinha como objetivos principais buscar o apoio de Washington à sua campanha presidencial e avançar em pautas de interesse brasileiro, como a classificação do Comando Vermelho (CV) e do Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas.
O senador Flávio Bolsonaro confirmou ter solicitado diretamente a Trump a inclusão das facções brasileiras na estrutura global de combate ao terrorismo. Horas após o encontro de Flávio com o Secretário de Estado americano, Marco Rubio, o governo dos EUA confirmou a classificação do PCC e do CV como “terroristas globais especialmente designados” e “organizações terroristas estrangeiras”, em um anúncio celebrado por Flávio em suas redes sociais. Em vídeo, o pré-candidato agradeceu a Trump e Rubio, afirmando que o anúncio foi feito a seu pedido e prometendo “libertar” o Brasil do atual governo em 2027.
Contudo, a publicação de Trump acontece em um cenário desfavorável para o governo brasileiro. Ontem, segunda-feira, 1º de junho, o Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) concluiu uma investigação que classificou políticas e práticas do governo brasileiro como “irrazoáveis”, propondo a aplicação de uma tarifa de 25% sobre mercadorias do Brasil. Flávio Bolsonaro havia declarado ter solicitado a Trump para não aplicar tais taxas sobre empresas brasileiras.
A coincidência da postagem de Trump com as notícias sobre as tarifas e a reação de Brasília não foi bem recebida por parte dos próprios bolsonaristas, conforme apuração do jornalista Bruno Pinheiro. Há o receio de que o apoio público de Trump, no mesmo dia em que o presidente Lula criticou Flávio e sua família em relação às tarifas, possa gerar uma percepção negativa entre os eleitores, associando o pré-candidato a medidas econômicas desfavoráveis ao Brasil, apesar de Flávio não ter ligação direta com as decisões tarifárias.


