O empresário e pré-candidato à Presidência da República pelo partido Missão, Renan Santos, fez duras críticas nesta terça-feira (2 de junho de 2026) à postura do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em sua relação com líderes brasileiros. Segundo Santos, o “jogo” político de Trump com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) apenas prejudica o cidadão brasileiro, classificando a situação como “ridícula” para ambos os lados do espectro político.
A declaração de Renan Santos, obtida pela Jovem Pan, surge no contexto da recente proposta de tarifas dos EUA sobre produtos brasileiros. O pré-candidato argumenta que, ao anunciar a intenção de taxar mercadorias do Brasil, Trump inadvertidamente favorece o discurso de Lula. “Essa semana, quando o Trump avisa que vai tarifar produtos brasileiros, ele gera tudo o que o Lula queria: um inimigo externo para falar que está defendendo o Brasil. Mas ninguém está defendendo nada”, afirmou Santos.
Renan Santos estendeu sua crítica aos encontros de Trump com Lula e Flávio Bolsonaro, interpretando-os como uma estratégia do líder norte-americano para “fazer média” e manter boas relações com ambos, enquanto o Brasil se vê em um “jogo de empurra que não tem nenhum sentido”. Ele enfatizou que a interferência de Trump e essa dinâmica política “só prejudica o cidadão brasileiro”, alertando que “quem fica buscando coerência ideológica no Trump vai acabar se dando muito mal”.
As declarações de Santos vêm logo após o Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) concluir, na segunda-feira (1º de junho de 2026), uma investigação que classificou políticas e práticas do governo brasileiro como “irrazoáveis”. Como resultado, o governo americano propôs a aplicação de uma tarifa de 25% sobre diversas mercadorias do Brasil, alegando que as ações brasileiras oneram e restringem o comércio dos EUA.
A decisão do USTR baseia-se na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, dispositivo legal que também foi citado por Flávio Bolsonaro em uma carta pedindo a não aplicação das tarifas. O relatório final apontou irregularidades em seis áreas principais: comércio digital e serviços de pagamento eletrônico, tarifas preferenciais desleais, aplicação de medidas anticorrupção, proteção da propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e combate ao desmatamento ilegal. No âmbito digital, a investigação citou ordens judiciais brasileiras para remoção de conteúdo, suspensão de perfis em redes sociais americanas e restrições a sistemas de pagamentos.


