O Superior Tribunal de Justiça (STJ) negou liberdade a três dos principais alvos da “Operação Buraco Sem Fim”, que investiga um vultoso esquema de corrupção na Secretaria Municipal de Obras de Campo Grande. A decisão, proferida pelo ministro Hernan Benjamin, mantém na prisão o ex-secretário de Infraestrutura, Rudi Fiorese, o ex-superintendente Mehdi Talayeh, e o coordenador do serviço de tapa-buraco, Edvaldo Aquino.
Em sua justificativa, o ministro Benjamin afirmou que a situação dos autos não apresenta “nenhuma excepcionalidade” que justifique a intervenção prematura da Corte Superior, reforçando a necessidade de aguardar o esgotamento da jurisdição do Tribunal de origem. A decisão do STJ corrobora o posicionamento do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS) que, em 19 de maio de 2026, já havia negado habeas corpus a Rudi Fiorese.
Dos sete indivíduos inicialmente detidos na operação, apenas Antônio Roberto Bittencourt obteve a liberdade provisória, concedida com o uso de tornozeleira eletrônica. A Justiça considerou sua idade, superior a 70 anos, e seu estado de saúde para a concessão da medida. Além dos nomes já mencionados, a operação resultou na prisão do empresário Antônio Bittencourt, filho de Antônio Roberto, e dos servidores Erick Antônio Valadão e Fernando de Souza Oliveira.
Deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) e pelo Grupo Especial de Combate à Corrupção (Gecoc), a “Operação Buraco Sem Fim” cumpriu sete mandados de prisão preventiva e dez de busca e apreensão. Durante as diligências, foram apreendidos altos valores em dinheiro vivo, totalizando ao menos R$ 429 mil. Desse montante, R$ 186 mil foram encontrados na residência de um servidor e R$ 233 mil no imóvel de outro alvo da investigação.
O Ministério Público Estadual (MPE) investiga uma sofisticada organização criminosa acusada de fraudar sistematicamente a execução de serviços de manutenção de vias públicas em Campo Grande. O esquema envolvia a manipulação de medições e a realização de pagamentos indevidos, resultando no desvio de dinheiro público, enriquecimento ilícito dos envolvidos e, consequentemente, na má qualidade da infraestrutura viária municipal.
Conforme as investigações, entre os anos de 2018 e 2025, a empresa sob apuração conseguiu contratos e aditivos que somam um montante expressivo de R$ 113.702.491,02. O MPE destacou que as evidências revelam pagamentos públicos que não correspondem aos serviços efetivamente prestados, configurando um esquema robusto de corrupção.


