São Petersburgo, a segunda maior cidade da Rússia, foi alvo de um ataque de drones ucranianos nesta quarta-feira, 3 de junho de 2026, mirando instalações estratégicas de energia e militares. A ofensiva ocorre horas antes da abertura do Fórum Econômico Internacional de São Petersburgo (SPIEF), que contará com a presença do presidente Vladimir Putin e outras autoridades russas. A ação é vista como uma retaliação direta aos mísseis russos que, há apenas um dia, mataram 23 pessoas na Ucrânia.
O incidente sublinha a escalada contínua de um conflito que já dura mais de quatro anos, sem perspectiva de negociações de paz, e que se tornou o mais letal na Europa desde a Segunda Guerra Mundial. Ambos os lados persistem em ataques mútuos, mantendo a tensão geopolítica em níveis críticos.
O SPIEF, um evento anual de três dias que historicamente atraía investidores ocidentais, agora serve como um barômetro do isolamento de Moscou no cenário global. Com a expectativa de receber cerca de 20 mil convidados de 130 países, o fórum teve sua abertura marcada pela observação de fumaça à distância por jornalistas da AFP, enquanto os primeiros delegados chegavam para as sessões iniciais.
Em resposta, o Kremlin prometeu “respostas sistemáticas” ao ataque. O governador de São Petersburgo, Alexander Beglov, confirmou danos a “várias” infraestruturas, mas garantiu que não houve vítimas fatais, atenuando a gravidade imediata do impacto humano.
O presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, justificou os bombardeios como “ataques justos”, declarando que “ontem ocorreu um ataque em grande escala. Respondemos de acordo”. Em Kiev, ao lado do secretário-geral da OTAN, Mark Rutte, Zelensky detalhou que os drones visaram o terminal de petróleo de São Petersburgo e a base militar de Kronstadt. Essas ações, classificadas por Kiev como “sanções de longo alcance”, resultaram no fechamento temporário do principal aeroporto da cidade.
Mark Rutte, da OTAN, reforçou a narrativa de resiliência ucraniana, afirmando que “enquanto a Ucrânia continua resistindo, inovando e alcançando vitórias no campo de batalha, a Rússia está cada vez mais desesperada”. A chefe da diplomacia da União Europeia, Kaja Kallas, corroborou essa visão em entrevista à AFP, sugerindo que os ataques demonstram “o pânico que se espalha no lado russo” e a falta de estratégia diante da situação.
Apesar da tensão, a percepção de risco entre alguns participantes do fórum parece minimizada. Valéria, uma empresária de 32 anos de Moscou, declarou à AFP não temer novos ataques, afirmando: “Já convivemos com esse tipo de ataque há anos”.
A transformação do Fórum de São Petersburgo, antes apelidado de “Davos russo”, em um evento que reflete o isolamento de Moscou das potências ocidentais tem sido progressiva desde o início da ofensiva russa em larga escala contra a Ucrânia, em fevereiro de 2022.


