A NASA anunciou nesta quarta-feira (3) o fim oficial da missão MAVEN (Mars Atmosphere and Volatile Evolution), a primeira dedicada exclusivamente a observar a atmosfera marciana e sua evolução. Após operar por mais de 11 anos em órbita — uma década além do previsto em sua missão primária —, a espaçonave foi declarada irrecuperável após uma anomalia em seus sistemas de comunicação.
O último contato com a sonda ocorreu em 6 de dezembro de 2025, quando a MAVEN sofreu uma perda inesperada de sinal ao passar por trás do Planeta Vermelho. Um conselho de revisão da agência, convocado em fevereiro, determinou que a sonda entrou em modo de segurança e começou a girar em uma velocidade excepcionalmente alta ao reaparecer. Essa rotação extrema esgotou suas baterias, deixando o sistema de comunicações sem energia e a espaçonave em um estado irrecuperável. Embora a causa raiz da anomalia ainda esteja sob investigação, a NASA já iniciou o processo oficial de desativação.
Lançada em novembro de 2013, a MAVEN foi fundamental para desvendar o mistério de como Marte se transformou de um mundo com água líquida e potencial para abrigar vida no planeta árido e gelado que conhecemos hoje.
“A ciência que a MAVEN nos proporcionou é fundamental para informar que tipo de proteção contra radiação e medidas de segurança devemos adotar antes de enviar humanos a Marte”, afirmou Louise Prockter, diretora da Divisão de Ciência Planetária da NASA, em comunicado da agência.
Ao longo de sua vida útil, a equipe científica da missão produziu mais de 800 publicações, comprovando que os ventos e tempestades solares foram os principais responsáveis por “varrer” a atmosfera marciana para o espaço. A MAVEN também descobriu novos tipos de auroras formadas por prótons que, diferentemente da Terra, podem iluminar o planeta inteiro em Marte. Pela primeira vez em qualquer planeta, a sonda mediu a perda de atmosfera por pulverização, revelando como íons em alta velocidade colidem e “espirram” moléculas de gás para o espaço.
Em 2018, durante uma tempestade de poeira global, a MAVEN confirmou que o aquecimento gerado impulsiona moléculas de água para altitudes extremas, acelerando a perda de água marciana para o espaço. Além de realizar observações inéditas do cometa 3I/ATLAS, a espaçonave desempenhou um papel vital na Rede de Retransmissão de Marte da NASA, detendo o recorde do sistema solar de maior volume de dados retransmitidos de rovers para a Terra em um único dia.
Shannon Curry, investigadora principal da missão, resumiu o sentimento da equipe: “A missão MAVEN realmente avançou nossa compreensão sobre a atmosfera e a evolução de Marte. Nossa equipe científica está excepcionalmente orgulhosa de todas essas descobertas.”


