A Câmara dos Representantes dos Estados Unidos aprovou na quarta-feira, 3 de junho de 2026, uma resolução de poderes de guerra. O texto visa interromper a ação militar americana contra o Irã. Esta decisão representa um revés político para o presidente Donald Trump, que classificou a votação como “sem sentido”.
A medida obteve 215 votos favoráveis e 208 contrários. Quatro republicanos uniram-se aos democratas para apoiar a resolução. Trump afirmou que o Congresso tenta limitar sua atuação “no meio das negociações finais” para encerrar o conflito. A resolução ainda precisa de aprovação no Senado e enfrenta a possibilidade de veto presidencial, pois Trump pode vetar qualquer tentativa do Congresso de restringir sua autoridade como comandante-chefe das Forças Armadas.
Na manhã desta quinta-feira, 4 de junho de 2026, Trump publicou na Truth Social sua crítica à votação. Ele chamou a decisão de “sem sentido” e censurou os quatro republicanos dissidentes. O presidente alegou que os parlamentares agiram “no meio das negociações finais” para encerrar a guerra com o Irã. Ele atribuiu a motivação dos democratas à “Síndrome de Perturbação por Trump” e acusou os republicanos de buscarem apenas “holofotes”.
A votação reflete o crescente desconforto no Congresso com o conflito, iniciado há três meses. A estratégia da Casa Branca no Oriente Médio enfrenta amplas críticas. Trump havia prometido em campanha reduzir o envolvimento dos EUA em conflitos externos, mas a guerra com o Irã recolocou a região no centro da política externa americana.
Desde que os EUA se juntaram a Israel nos ataques contra o Irã em 28 de fevereiro de 2026, o conflito provocou turbulências nos mercados de energia. Teerã conseguiu interromper parcialmente a navegação no Estreito de Ormuz. O presidente da Câmara, Mike Johnson, assegurou que Trump trabalha com aliados para reabrir plenamente a passagem marítima e retomar o fluxo comercial. Embora um cessar-fogo tenha sido anunciado em abril de 2026, os confrontos e as negociações para um acordo duradouro permanecem instáveis. Conflitos recentes na região do Golfo intensificam a complexidade do cenário.
Durante uma audiência na Câmara, o secretário de Estado, Marco Rubio, criticou a resolução. Ele argumentou que sua aprovação poderia levar os iranianos a concluir que as “mãos do governo estarão atadas”, reduzindo os incentivos para um acordo diplomático. Discussões prévias entre Trump e líderes do Oriente Médio também indicam tensões diplomáticas na região. O cenário de relações complexas e por vezes “raivosas” com aliados destaca a volatilidade da política externa americana.


