O Governo Federal inicia neste mês de junho de 2026 a implementação de uma nova e robusta estratégia de combate ao crime organizado no Brasil. Serão criados dois Escritórios Nacionais Antifacção (ENA) nas cidades de São Paulo e Rio de Janeiro, considerados territórios de alta prioridade devido à presença das maiores facções criminosas do país. As novas unidades serão coordenadas pela Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), vinculada ao Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP).
A escolha inicial por São Paulo e Rio de Janeiro não é aleatória. Ambas as metrópoles são reconhecidas como berços e centros de operação de grupos como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho, respectivamente. A estrutura foi desenhada pela pasta para ampliar significativamente a presença e a atuação da União nesses locais, centralizando esforços e inteligência.
Em um futuro próximo, o plano do governo prevê a expansão da iniciativa com a criação de mais três escritórios em outras regiões estratégicas do país: Fortaleza (CE), Manaus (AM) e Foz do Iguaçu (PR). A seleção dessas cidades visa contemplar as demais regiões, além de Centro-Oeste e Sudeste, e é justificada por suas localizações geográficas cruciais, como a Amazônia e a Tríplice Fronteira, pontos nevrálgicos para rotas de tráfico e atividades ilícitas.
A atuação dos ENAs será focada em duas frentes principais: articulação de medidas de asfixia financeira das organizações criminosas e o combate rigoroso ao tráfico de armas. Os escritórios regionais terão a função de integrar e articular o trabalho de diversas instituições envolvidas no combate ao crime, incluindo as polícias Federal, Civil e Militar, além do Ministério Público, promovendo a cooperação entre as esferas municipal, estadual e federal.
A iniciativa se alinha ao programa “Brasil contra o Crime Organizado”, lançado no mês passado, que prevê investimentos da ordem de R$ 1 bilhão para equipar as estruturas de segurança dos Estados. Adicionalmente, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) disponibilizará R$ 10 bilhões para viabilizar empréstimos às unidades da federação, fortalecendo a capacidade de resposta contra a criminalidade.
Para compor os quadros dos escritórios, serão cedidos Policiais Federais, agentes de outras forças de segurança e de órgãos parceiros. Embora o número exato de funcionários por unidade ainda não tenha sido detalhado, o projeto prevê três estruturas principais de atuação. Além de cooperar na formulação de operações, os ENAs também auxiliarão outras iniciativas do Ministério da Justiça, como o Comitê Integrado de Investigação Financeira e Recuperação de Ativos (Cifra).
O Cifra reúne membros do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), das polícias e das secretarias de Fazenda dos Estados, com o propósito de desarticular financeiramente as organizações criminosas. O foco no braço financeiro das facções é uma das principais estratégias apontadas por especialistas, visto que investigações recentes têm revelado o uso crescente de empresas, incluindo fintechs, para lavagem de dinheiro por parte de criminosos.


