Iniciativas de qualificação profissional transformam o cotidiano de mulheres privadas de liberdade em Mato Grosso do Sul. Programas oferecem ferramentas concretas para a reinserção social e buscam reduzir a reincidência criminal. A Agepen (Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário) investe estrategicamente em cursos profissionalizantes como meio de transformação.
O Programa Pronatec Mulheres Mil capacita reeducandas da capital e do interior no curso de copeira. Esta formação abrange dimensões sociais, emocionais e econômicas, além da técnica. Com 160 horas/aula, divididas em dois módulos, o curso inclui português, matemática, informática, preparo de bebidas e lanches, higiene, manipulação de alimentos, atendimento ao cliente, empreendedorismo e direitos trabalhistas.
As aulas ocorrem em Campo Grande, no Estabelecimento Penal Feminino “Irmã Irma Zorzi” e na unidade feminina de regime semiaberto e aberto. Unidades do interior, como São Gabriel do Oeste, também recebem a formação. São 35 dias letivos apenas no módulo técnico, com atividades que integram teoria e prática. Em Rio Brilhante, internas participam de um curso na área de vendas.
Política Pública com Impacto Social
A Agepen adota uma política que visa transformar o sistema prisional. O objetivo é preparar os indivíduos para o retorno ao convívio social, oferecendo mais conhecimento e perspectivas. Isso possibilita a escolha de um novo caminho. Rodrigo Rossi Maiorchini, diretor-presidente da Agepen, defende a qualificação profissional como um mecanismo crucial para essa mudança.
“Nosso compromisso é garantir que essas pessoas tenham acesso real a oportunidades quando deixarem o sistema. A educação e a qualificação profissional são ferramentas essenciais para quebrar ciclos e permitir que novas histórias sejam construídas com dignidade, autonomia e responsabilidade”, afirma Maiorchini.
Maria de Lourdes Delgado Alves, diretora de Assistência Penitenciária, destaca as mudanças que ocorrem silenciosamente dentro das unidades. “E, quando essas portas se abrirem, não serão apenas pessoas deixando o sistema prisional. Serão histórias que carregam, agora, a possibilidade real de um novo começo”, defende Alves. A busca por empregabilidade é um dos pilares dessas iniciativas, complementando os serviços de empregabilidade disponíveis no estado e as alterações no atendimento da Funtrab.
Além dos cursos de copeira e vendas, outras capacitações estão em andamento. Para 2026, a Agepen garantiu mais de 2 mil vagas em cursos presenciais, destinadas a homens e mulheres privados de liberdade. As parcerias abrangem áreas como construção civil, marcenaria e informática.


