Nesta sexta-feira, 19 de junho, o Dia do Cinema Brasileiro é celebrado com particular entusiasmo em Mato Grosso do Sul. O setor audiovisual do estado alcança um patamar histórico, impulsionado por robustas políticas públicas e um amadurecimento notável de sua cadeia produtiva. A produção local floresce, a circulação de obras se expande e a formação profissional ganha novo fôlego, consolidando um dos períodos mais promissores da sua história.
Nos últimos cinco anos, o audiovisual sul-mato-grossense testemunhou um influxo expressivo de recursos. Mais de R$ 20 milhões foram injetados exclusivamente pela Lei Paulo Gustavo (LPG), somando-se aos investimentos estaduais do Fundo de Investimentos Culturais (FIC) e, crucialmente, à Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), que estabeleceu uma fonte contínua e previsível de financiamento para o campo cultural em todo o país.
Em 2026, a Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul (FCMS) reafirma esse compromisso, lançando três editais específicos para o audiovisual, totalizando R$ 1 milhão em investimentos provenientes da PNAB. Estas chamadas públicas abrangem diversas etapas da cadeia produtiva, desde a concepção e produção de obras até sua circulação e exibição em diferentes plataformas.
Entre as iniciativas, R$ 100 mil são destinados ao licenciamento de 30 obras audiovisuais finalizadas a partir de 2023, garantindo sua exibição em plataformas como Rota Cine, mostras do Museu da Imagem e do Som (MIS) e na grade da TV Educativa. Outros R$ 500 mil impulsionarão a produção de cinco curtas-metragens de animação inéditos, com aporte de até R$ 100 mil por projeto. Finalmente, R$ 400 mil apoiarão a participação de produções locais em festivais e mostras nacionais e internacionais, ampliando sua visibilidade. Os editais seguem em fase de avaliação, com conclusão prevista para agosto.
Para o renomado cineasta Roberto Leite, com mais de duas décadas de atuação no setor, o cenário atual é um divisor de águas. “Vivemos um dos períodos mais importantes da história do audiovisual em Mato Grosso do Sul”, declara Leite. “A chegada da Lei Paulo Gustavo e da Política Nacional Aldir Blanc foi fundamental, proporcionando recursos que capacitaram produtores, diretores, roteiristas e técnicos a desenvolverem projetos com mais qualidade e a conquistarem novos espaços de exibição e reconhecimento.”
Ele enfatiza, contudo, que este momento de efervescência não surgiu do nada, mas é fruto de uma construção contínua. “Diversos profissionais já vinham pavimentando o caminho do audiovisual sul-mato-grossense por meio dos editais estaduais, como o FIC, e também de iniciativas da iniciativa privada. Foi esse trabalho persistente que preparou o terreno para a fase que desfrutamos hoje”, conclui o cineasta, apontando para um futuro de ainda maior expansão e reconhecimento para as produções locais.


