A jornada de Adelina Sales, moradora da zona rural, começou na madrugada. Levantou à meia-noite e saiu de casa às três da manhã para alcançar o Hospital Regional de Dourados (HRD) antes das sete. O cansaço da estrada, contudo, era um alívio perto da espera que se encerrava: por quase quatro anos, Adelina aguardava uma ressonância magnética pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para tratar sua artrose no joelho. A chamada para o exame no HRD não foi apenas um agendamento, mas a interrupção de uma longa e angustiante espera.
Desde 27 de abril de 2026, a realidade de pacientes como Adelina está mudando drasticamente. A instalação do primeiro aparelho de ressonância magnética da rede pública no Hospital Regional de Dourados está transformando o acesso a exames de alta complexidade para a macrorregião do Cone Sul, que abrange 34 municípios. Com capacidade para realizar cerca de 500 exames por mês, o novo serviço elimina a necessidade de deslocamentos exaustivos para outros centros e aproxima a tecnologia diagnóstica de quem depende exclusivamente do SUS.
Para Adelina, a experiência no HRD foi marcante, superando a mera distância percorrida. “Levantamos meia-noite para poder estar aqui. Saímos de casa às três da manhã e chegamos quase às sete. Foi cansativo, mas graças a Deus deu tudo certo”, relatou. Acostumada à vida no sítio, ela desabafou sobre o tratamento diferenciado que por vezes recebia: “Tem lugar que parece que a gente é tratada diferente porque é da roça. Cheguei e já vieram pegar meus documentos, me encaminharam rápido, os médicos atenderam muito bem. Fui muito bem tratada”, celebrou, destacando a humanização do atendimento.
A história de Luciene de Medeiros, de Itaporã, ecoa a dimensão da espera por exames especializados no interior. Sofrendo de bursite e rompimento dos tendões dos ombros, ela aguardava uma ressonância magnética desde 2019. Mesmo com um pedido de cirurgia em 2023, o exame permanecia como um gargalo essencial para a continuidade do tratamento. “Esse exame que vim fazer hoje já estava esperando há mais de dois anos”, afirmou Luciene, aliviada por finalmente ter acesso ao procedimento.
A chegada da ressonância magnética ao Hospital Regional de Dourados representa um avanço significativo na saúde pública de Mato Grosso do Sul. Ao reduzir drasticamente as filas de espera e as longas viagens, o equipamento não apenas agiliza diagnósticos e tratamentos, mas também resgata a dignidade e a qualidade de vida de milhares de pacientes do Cone Sul, consolidando um novo patamar de acesso à medicina de ponta na rede pública.


