Seis meses após a captura do então presidente Nicolás Maduro por forças especiais dos Estados Unidos, o controle da Venezuela sobre suas finanças, distribuição de recursos naturais e gestão governamental foi efetivamente assumido por Washington. O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, exerce a função de administrador do país sul-americano a partir da capital dos EUA, em um arranjo político consolidado com a presidente interina Delcy Rodríguez, conforme reportagem detalhada do jornal The New York Times.

A colaboração entre Rubio e Rodríguez, que se comunica por mensagens de texto, solidificou-se após a líder venezuelana aceitar as diretrizes da Casa Branca. Em troca, a administração interina recebeu a garantia de preservação da infraestrutura nacional, um ponto crucial para o acordo, segundo relatos de mais de uma dúzia de funcionários de ambos os países consultados pelo jornal.

O mecanismo de controle financeiro é central para a estratégia dos EUA. O Departamento do Tesouro norte-americano arrecada diretamente as receitas provenientes das exportações de petróleo venezuelano, comercializadas por empresas como Trafigura e Vitol. Esses fundos são liberados gradualmente por meio de bancos privados locais, permitindo à equipe de Rubio ditar as condições de aplicação das verbas públicas e coibir desvios. Em contrapartida, a Venezuela recebe proteção legal contra credores internacionais de sua dívida externa.

Além do monitoramento orçamentário, Washington gerencia a concessão de licenças de exceção a sanções econômicas, priorizando a entrada de companhias norte-americanas no setor de energia em detrimento de operadoras europeias. Na esfera de segurança e relações exteriores, a administração interina submete nomeações de alto escalão, como a do ministro da Defesa, ao aval dos EUA, e encerrou projetos conjuntos com aliados históricos, resultando na assunção das operações antes divididas com a estatal russa Rosneft.

A cooperação se estendeu a ações de segurança de alto perfil, incluindo a detenção e extradição do empresário Alex Saab para Nova York, onde responde a processos por tráfico de drogas. No mês passado, informações de inteligência fornecidas por Caracas sinalizaram um ataque de míssil norte-americano que resultou na morte de Niño Guerrero, uma das lideranças da organização criminosa Trem de Aragua, no sul do território venezuelano, conforme o New York Times.

O controle operacional dos EUA também se manifestou nas ações de reconstrução após a ocorrência de dois terremotos na Venezuela no mês passado. Washington mobilizou 900 militares, destinou cerca de US$ 400 milhões em assistência emergencial e enviou remessas de dinheiro físico para estabilizar a moeda local. Embora Rubio aponte que o planejamento prevê uma posterior transição democrática, analistas políticos ponderam que a data para a realização de eleições livres permanece indefinida, enquanto o presidente Donald Trump já manifestou apoio público a Rodríguez.

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