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Policial

Áudio de despedida precede feminicídio em Nioaque, MS

Semanas antes de ser tragicamente assassinada em Nioaque, Mato Grosso do Sul, Rosenilda de Oliveira Candelario, de 48 anos, enviou um áudio impactante à família, desabafando sobre se sentir usada e manifestando o desejo de ir embora. A mulher, carinhosamente conhecida como 'Rose', tornou-se a 15ª vítima de feminicídio no estado neste ano, morta a tiros na noite da última sexta-feira (17) na Colônia Conceição.
Por Roberto Vieira - Meu MS News
Publicado em 21/07/2026 - 18:11 | Meu MS News
Áudio de despedida precede feminicídio em Nioaque, MS
Rosenilda de Oliveira Candelario. (Foto: Fala Povo, Midiamax)

A mensagem, recebida por seus entes queridos no dia 8 deste mês, revelava um profundo desabafo. No áudio, Rosenilda de Oliveira Candelario expressou a sensação de ter servido apenas para “curar feridas” alheias. “Estou indo embora. Eu descobri que nunca servi para nada; só servi para curar feridas das pessoas. Quando as feridas se cicatrizam, eles me deixam. Eu descobri que eu sou essa pessoa, graças a Deus que consegui cicatrizar mais uma ferida, agora a dona Rose tem que ir embora, dona Rose está indo, não mais ainda para onde, mas dona Rose está indo, tá?”, dizia a gravação.

Para a família, a interpretação foi clara: Rosenilda, que deixou três filhos com idades entre 25, 26 e 30 anos, estaria se despedindo. “Todos nós acreditamos que ela estava se despedindo de nós. Já sabendo de algo”, afirmou a filha Renata Candelaria Djalma, de 25 anos.

A suspeita de um pressentimento foi reforçada após a liberação da perícia na residência da vítima. Renata e seus irmãos encontraram uma mala com roupas no chão e as cobertas da mãe todas dobradas. “Minha mãe estava com as coisas dela arrumadas. Eu fui lá e tinha uma mala no chão com as roupas, cobertas dela, todas dobradas. Para todos da nossa família, minha mãe estava se despedindo”, relatou a filha.

A mulher já havia confidenciado à família sua infelicidade no relacionamento com Antônio Marcos da Silva, apontado como o autor do feminicídio. O casal morava junto há cerca de um ano. “Ela me dizia que o casamento não era o que ela imaginava que ia ser. E que ela não iria aceitar aquele tipo de coisa da parte dele. Acredito eu que ele a traiu ou ela desconfiava de algo”, disse Renata.

O trágico episódio ocorreu na noite de sexta-feira (17), na Colônia Conceição, em Nioaque. De acordo com o registro policial, a polícia foi acionada após vizinhos escutarem cinco disparos de arma de fogo. Ao chegarem ao local, os agentes encontraram Rosenilda já sem vida, sentada em uma cadeira na varanda de sua casa, que também funcionava como bar. Foram constatadas duas lesões na região da cabeça, compatíveis com disparos.

Além de Rosenilda, outra vítima, identificada como Reginaldo, foi encontrada sem vida nas proximidades. Ele apresentava aproximadamente oito perfurações na região do tórax, possivelmente causadas por facadas. As investigações indicam que Rosenilda, Antônio e Reginaldo estavam em um churrasco, consumindo bebida alcoólica, quando o crime aconteceu. Antônio Marcos da Silva é o principal suspeito das duas mortes, investigadas como feminicídio e homicídio.

Após o ocorrido, Antônio fugiu a pé, mas posteriormente se entregou à polícia. Ele alegou arrependimento, afirmando ter cometido os crimes após “perder a cabeça com a situação”.

A filha descreveu Rosenilda como uma mulher alegre e muito vaidosa. “Minha mãe era uma mulher alegre, muito vaidosa. Acordava de manhã, passava um batom e seguia a vida dela. Minha mãe gostava muito de churrasco, nada de tristeza com ela”, relembrou.

Onde Buscar Ajuda

A violência contra a mulher é um crime e pode ser denunciada. No Mato Grosso do Sul, existem diversos canais de apoio e proteção:

  • Casa da Mulher Brasileira em Campo Grande: Localizada na Rua Brasília, s/n, Jardim Imá. Atendimento 24 horas, incluindo fins de semana. Oferece Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam), Defensoria Pública, Ministério Público, Vara Judicial de Medidas Protetivas, atendimento social e psicológico, alojamento temporário, espaço para crianças e Patrulha Maria da Penha.
  • Telefone 153: Para contato com a Guarda Municipal.
  • Central de Atendimento à Mulher – 180: Canal telefônico para acolhimento, orientação e encaminhamento para a rede de enfrentamento à violência. Garante anonimato. Funciona 24 horas por dia, 7 dias por semana.
  • Número 190: Para emergências, acionar a Polícia Militar.
  • Promuse (Programa Mulher Segura): Contato via telefone e WhatsApp pelo (67) 99180-0542.
  • Delegacias de Atendimento à Mulher (DAMs) no interior: Presentes em municípios como Aquidauana, Bataguassu, Corumbá, Coxim, Dourados, Fátima do Sul, Jardim, Naviraí, Nova Andradina, Paranaíba, Ponta Porã e Três Lagoas.

Em caso de deszelo ou má conduta policial, é possível denunciar diretamente na Corregedoria da Polícia Civil de MS pelo telefone: (67) 3314-1896 ou no GACEP (Grupo de Atuação Especial de Controle Externo da Atividade Policial), do MPMS, pelos telefones (67) 3316-2836, (67) 3316-2837 e (67) 9321-3931.

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