Sob a relatoria do desembargador Jonas Hass Silva Júnior, o TJMS rejeitou as teses defensivas de que não haveria provas de liderança ou que os fatos investigados seriam antigos. Para os magistrados, a prisão preventiva é indispensável para garantir a ordem pública, interromper as atividades do grupo e conter o risco concreto de reiteração dos crimes, que incluem exploração ilegal do jogo do bicho, lavagem de dinheiro, corrupção ativa e porte de armas em Campo Grande.

Ao patriarca do clã, o também ex-deputado Roberto Razuk, de 85 anos, a Justiça manteve a prisão domiciliar sem tornozeleira devido à sua idade avançada e saúde debilitada. O colegiado consignou que a flexibilização do cárcere ocorreu estritamente por razões humanitárias, mas que os fundamentos da preventiva continuam válidos. Por isso, permanecem proibidos contatos, visitas não autorizadas e deslocamentos, visando evitar a manutenção de vínculos operacionais com o grupo criminoso.

Para Neno Razuk, também acusado de liderar o esquema e considerado foragido, a situação é distinta. Tendo perdido o foro privilegiado em maio, o pedido de prisão foi expedido somente no início de julho. Desde 7 de julho, quando agentes do Gaeco não o localizaram em sua residência, Neno é procurado pela Justiça. No entanto, um julgamento pautado para esta terça-feira (21) no Tribunal Regional Eleitoral de MS (TRE-MS) pode reverter sua situação e devolver-lhe o mandato. O ex-deputado entrou com mandado de segurança para anular uma retotalização de votos após sua colega de partido, Raquelle Trutis, ter votos anulados. Enquanto isso, a defesa de Neno tenta um habeas corpus na Justiça, que foi negado liminarmente e aguarda ser pautado pelo colegiado para análise de mérito.

O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), por meio do Gaeco, ofereceu denúncia contra o ex-deputado estadual Neno Razuk (PL); seu pai, o ex-deputado Roberto Razuk; e seus irmãos, Jorge Razuk Neto e Rafael Godoy Razuk. A peça acusatória, protocolada em 10 de dezembro de 2025, no âmbito da 4ª fase da Operação Successione, aponta o clã como a cúpula de uma organização criminosa armada dedicada à exploração ilegal de jogos de azar, utilizando-se de corrupção, lavagem de dinheiro e roubos para assegurar o monopólio da contravenção no Estado. Ao todo, 20 pessoas foram denunciadas. O MPMS requer, além da condenação pelos crimes imputados, o pagamento de R$ 36 milhões a título de reparação de danos, conforme o artigo 7º, inciso I, da Lei de Lavagem de Dinheiro. Em janeiro de 2026, a 4ª Vara Criminal de Campo Grande acatou a denúncia do MPMS.

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