A Receita Federal mantém sob retenção 230 toneladas de madeira no lado brasileiro, em Corumbá, Mato Grosso do Sul, desde 21 de junho. A medida visa aguardar o laudo conclusivo que determinará se a substância, supostamente impregnada na carga, é cocaína. A defesa das empresas responsáveis por quatro dos caminhões interceptados nega veementemente qualquer ilícito ou impregnação.

As madeiras estavam distribuídas em oito caminhões, dos quais quatro foram interceptados em Corumbá, localizada a 429 km de Campo Grande. A apreensão ocorreu durante a megaoperação “Timber Shield”, que contou com o apoio da Bolívia e dos Estados Unidos, e que completa um mês sem um parecer final.

Desde o início da operação, a Receita Federal aguarda o exame conclusivo sobre a presença de entorpecentes na carga. Uma amostra foi encaminhada para análise em Campo Grande, mas os resultados foram inconclusivos. Para aprofundar a avaliação, testes adicionais estão sendo conduzidos por especialistas em Brasília.

Na última segunda-feira (20), a Receita Federal confirmou que o laudo oficial ainda não foi emitido. A carga investigada permanece retida até a finalização do processo pericial, enquanto os caminhões utilizados no transporte do material foram liberados.

A Operação Timber Shield, que não resultou em prisões em Mato Grosso do Sul, identificou indícios consistentes de um sofisticado esquema de tráfico internacional de cocaína. Segundo Raimundo Mendes, delegado da Receita Federal em Cuiabá (MT), caso confirmada, esta será a maior apreensão de cocaína já realizada no Brasil.

Por outro lado, a defesa das duas empresas envolvidas reitera a ausência de irregularidades. “As diligências policiais tiveram por objetivo justamente aprofundar as investigações e submeter o material apreendido a exames periciais mais específicos, evidenciando que, naquele momento, não havia conclusão definitiva acerca da existência de entorpecente, tampouco qualquer comprovação da participação de eventuais envolvidos em atividades criminosas”, afirmou a defesa em nota. A expectativa é pela conclusão dos testes secundários e a emissão do laudo pericial para o esclarecimento completo dos fatos.

O esquema internacional envolve a ocultação da cocaína na estrutura da madeira, onde a droga líquida é introduzida nas toras, substituindo a seiva por meio de solventes específicos. “A cocaína é impregnada na madeira, utilizando ocultação química por meio de solventes específicos. Trata-se de um método recente de ocultação, com aumento significativo no uso da técnica de impregnação”, explicou Tatiane Suhogusoff, delegada da Alfândega da Receita Federal em Corumbá (MS).

O destino final do entorpecente ainda não foi confirmado, embora as cargas tivessem como destinos declarados em Mato Grosso do Sul as cidades de Campo Grande e Anastácio, e Curitiba no Paraná. Há fortes indícios, no entanto, de que esses locais não seriam os pontos de entrega final da droga.

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