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Policial

Esfaqueamento em Ranch Sorting: Testemunha Contradiz Versão

A primeira audiência de instrução e julgamento do médico-veterinário de 44 anos, acusado de esfaquear um zootecnista de 43 anos durante uma prova de Ranch Sorting em Campo Grande, em abril, foi marcada por depoimentos contraditórios de testemunhas nesta quarta-feira (22). O caso, sob a responsabilidade do juiz de Direito Carlos Alberto Garcete de Almeida, teve falas inconsistentes que podem impactar o andamento do processo.
Por Roberto Vieira - Meu MS News
Publicado em 22/07/2026 - 21:31 | Meu MS News
Esfaqueamento em Ranch Sorting: Testemunha Contradiz Versão
O suspeito teria tentado esconder o canivete na areia da arena. (Foto: Fala Povo Midiamax)

Audiência de Instrução Revela Contradições

Realizada na 1ª Vara do Tribunal do Júri, a sessão ouviu quatro das cinco testemunhas de acusação arroladas, sendo que uma delas passou à condição de informante. Os depoimentos se concentraram nos eventos da noite de sábado, 11 de abril, quando ocorreu o incidente. As testemunhas indicaram que o autor parecia estar embriagado e que a motivação do ataque teria sido sua inconformidade com a desclassificação na prova de Ranch Sorting.

Apesar de terem relatado os fatos daquela noite, diversas falas foram consideradas contraditórias em relação aos interrogatórios iniciais na delegacia. Em um dos casos, o Promotor de Justiça alertou sobre a possibilidade de falso testemunho.

A Contradição Crucial

Uma das testemunhas que apresentou contradição havia trabalhado na mesma empresa da vítima e, atualmente, presta serviços para a empresa do autor, fato que chamou a atenção do promotor. Na delegacia, essa testemunha afirmou que, se ninguém tivesse contido o autor, ele teria atacado a vítima novamente. Contudo, na audiência, negou essa versão.

Para a advogada Caroline Mendes Dias, assistente de acusação no caso, as contradições não obscurecem a dinâmica dos fatos. “O motivo fútil foi em razão de uma competição em que o competidor não aceitou a decisão do juiz que o desclassificou. Também foi confirmado que a vítima tentou ajudar para que a prova seguisse o curso normal e, principalmente, que ele foi expulso da prova. A gente acredita que está bem delineada até agora a intenção de matar a vítima; a gente tem uma testemunha com alguma contradição que a gente acredita que o Ministério Público vai tomar providências com a apuração de inquérito de falso testemunho”, declarou.

Defesa do Autor Questiona Inquérito

A defesa do médico-veterinário, representada pelo advogado Jakson Gomes Yamashita, argumentou que a contradição pode sugerir falhas no inquérito policial, uma vez que o depoimento inicial não teria sido gravado. “Escreveram por ela, ela volta atrás e desfaz diversas narrativas colocadas na denúncia pelo Ministério Público, uma delas é que não houve uma investida do autor contra a vítima na intenção de matá-la logo após o desfecho. Então isso está a favor da defesa e será muito bem trabalhado durante essa fase de instrução”, afirmou o advogado.

Além disso, a defesa apontou que a audiência revelou que a vítima também teria agredido o autor com socos, o que, na versão defensiva, pode reclassificar o caso de tentativa de homicídio para lesão corporal. “A primeira delas, e que talvez seja a principal, é que no início foi dito que a vítima não o agrediu e hoje ficou claro que houve por parte da vítima agressão física, socos, chutes e ficou muito bem delineada na audiência”, frisou Yamashita.

O Incidente Detalhado

Conforme o boletim de ocorrência, equipes da 6ª CIPM foram acionadas por volta das 18h53 em uma chácara onde ocorria a competição de cavalos. No local, o suspeito inicialmente declarou ter agido em reação a um soco, utilizando um canivete para esfaquear a vítima. No entanto, duas testemunhas apresentaram uma versão diferente.

Elas afirmaram que, cerca de 30 minutos após uma discussão sobre a pontuação da competição e uma reclamação direcionada ao juiz, o suspeito se dirigiu à vítima na pista. Após troca de empurrões, ele desferiu um golpe de canivete na região da clavícula direita do homem. A vítima foi socorrida em estado grave e encaminhada a um hospital particular da Capital, necessitando de intubação e cirurgia. Seu estado de saúde é estável.

Durante a discussão, testemunhas tentaram intervir e conseguiram conter os envolvidos. Uma delas relatou à polícia ter afastado o autor do local, onde o presenciou arremessando e enterrando o canivete no chão. O suspeito teria proferido ameaças: “Eu fui degolar ele, e, se não morrer, eu degolo outro dia”.

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