Esfaqueamento em Ranch Sorting: Testemunha Contradiz Versão
Audiência de Instrução Revela Contradições
Realizada na 1ª Vara do Tribunal do Júri, a sessão ouviu quatro das cinco testemunhas de acusação arroladas, sendo que uma delas passou à condição de informante. Os depoimentos se concentraram nos eventos da noite de sábado, 11 de abril, quando ocorreu o incidente. As testemunhas indicaram que o autor parecia estar embriagado e que a motivação do ataque teria sido sua inconformidade com a desclassificação na prova de Ranch Sorting.
Apesar de terem relatado os fatos daquela noite, diversas falas foram consideradas contraditórias em relação aos interrogatórios iniciais na delegacia. Em um dos casos, o Promotor de Justiça alertou sobre a possibilidade de falso testemunho.
A Contradição Crucial
Uma das testemunhas que apresentou contradição havia trabalhado na mesma empresa da vítima e, atualmente, presta serviços para a empresa do autor, fato que chamou a atenção do promotor. Na delegacia, essa testemunha afirmou que, se ninguém tivesse contido o autor, ele teria atacado a vítima novamente. Contudo, na audiência, negou essa versão.
Para a advogada Caroline Mendes Dias, assistente de acusação no caso, as contradições não obscurecem a dinâmica dos fatos. “O motivo fútil foi em razão de uma competição em que o competidor não aceitou a decisão do juiz que o desclassificou. Também foi confirmado que a vítima tentou ajudar para que a prova seguisse o curso normal e, principalmente, que ele foi expulso da prova. A gente acredita que está bem delineada até agora a intenção de matar a vítima; a gente tem uma testemunha com alguma contradição que a gente acredita que o Ministério Público vai tomar providências com a apuração de inquérito de falso testemunho”, declarou.
Defesa do Autor Questiona Inquérito
A defesa do médico-veterinário, representada pelo advogado Jakson Gomes Yamashita, argumentou que a contradição pode sugerir falhas no inquérito policial, uma vez que o depoimento inicial não teria sido gravado. “Escreveram por ela, ela volta atrás e desfaz diversas narrativas colocadas na denúncia pelo Ministério Público, uma delas é que não houve uma investida do autor contra a vítima na intenção de matá-la logo após o desfecho. Então isso está a favor da defesa e será muito bem trabalhado durante essa fase de instrução”, afirmou o advogado.
Além disso, a defesa apontou que a audiência revelou que a vítima também teria agredido o autor com socos, o que, na versão defensiva, pode reclassificar o caso de tentativa de homicídio para lesão corporal. “A primeira delas, e que talvez seja a principal, é que no início foi dito que a vítima não o agrediu e hoje ficou claro que houve por parte da vítima agressão física, socos, chutes e ficou muito bem delineada na audiência”, frisou Yamashita.
O Incidente Detalhado
Conforme o boletim de ocorrência, equipes da 6ª CIPM foram acionadas por volta das 18h53 em uma chácara onde ocorria a competição de cavalos. No local, o suspeito inicialmente declarou ter agido em reação a um soco, utilizando um canivete para esfaquear a vítima. No entanto, duas testemunhas apresentaram uma versão diferente.
Elas afirmaram que, cerca de 30 minutos após uma discussão sobre a pontuação da competição e uma reclamação direcionada ao juiz, o suspeito se dirigiu à vítima na pista. Após troca de empurrões, ele desferiu um golpe de canivete na região da clavícula direita do homem. A vítima foi socorrida em estado grave e encaminhada a um hospital particular da Capital, necessitando de intubação e cirurgia. Seu estado de saúde é estável.
Durante a discussão, testemunhas tentaram intervir e conseguiram conter os envolvidos. Uma delas relatou à polícia ter afastado o autor do local, onde o presenciou arremessando e enterrando o canivete no chão. O suspeito teria proferido ameaças: “Eu fui degolar ele, e, se não morrer, eu degolo outro dia”.
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