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Policial

Ítalo de Moraes, do PCC, é recapturado após fuga de presídio

Ítalo de Moraes, de 27 anos, membro do Primeiro Comando da Capital (PCC) e sobrinho de 'Tio Arantes', foi recapturado nesta quarta-feira (22) em Campo Grande. Ele havia evadido do Centro Penal Agroindustrial da Gameleira na segunda-feira (20) com outros dois detentos, que permanecem foragidos.
Por Roberto Vieira - Meu MS News
Publicado em 22/07/2026 - 14:51 | Meu MS News
Ítalo de Moraes, do PCC, é recapturado após fuga de presídio
Foto: Divulgação

A recaptura de Ítalo de Moraes ocorreu em um espaço de eventos no Jardim Colúmbia, em Campo Grande, por equipes do 9º BPM (Batalhão da Polícia Militar) e do Batalhão de Choque. Ítalo, Bruno Araújo da Silva e Thiago Pereira Costa haviam sido ‘resgatados’ do Centro Penal Agroindustrial da Gameleira por um grupo. Bruno e Thiago ainda não foram localizados.

Ítalo de Moraes é membro do PCC e sobrinho de Antenor Motta de Moraes, conhecido como ‘Gugu’, que é casado com uma filha de José Cláudio Arantes, o ‘Tio Arantes’, um dos líderes da facção.

As forças policiais tomaram conhecimento de que Ítalo poderia estar no imóvel e acionaram o Batalhão de Choque. Foi montado um cerco, e o criminoso tentou fugir pelo telhado, pulando em uma residência vizinha. Ele adentrou um quarto e tentou escapar, mas foi alcançado por um dos policiais do lado de fora.

Cerca de cinco a seis pessoas que estavam na residência com Ítalo foram detidas por suspeita de auxiliar o criminoso na fuga. Três armas foram apreendidas no imóvel.

Na noite de terça-feira (21), vizinhos relataram intensa movimentação e uma discussão na residência onde os criminosos estavam. Eles perceberam homens armados no telhado e um carro que aparentava vigiar o local.

A moradora do imóvel onde Ítalo pulou para tentar fugir relatou o incidente: “Escutei o barulho deles pulando no meu telhado e, quando fui olhar, tinha um cara no quarto da minha filha. Logo em seguida, apareceu um policial e o rapaz fugiu e foi pego lá fora. Minha filha entrou em choque, ficou desesperada”, contou.

Com a presença de veículos na residência, a polícia está verificando a procedência e realizando levantamentos para tentar localizar os outros fugitivos.

Quem é Ítalo de Moraes, especialista em explosivos do PCC?

Ítalo de Moraes é sobrinho de Antenor Motta de Moraes, conhecido como ‘Gugu’, que é casado com uma filha de José Cláudio Arantes, o ‘Tio Arantes’. ‘Gugu’ era apontado como o apoio de ‘Tio Arantes’ no Estado para a venda de armas ao PCC e, em fevereiro de 2020, ameaçou agentes penitenciários no Presídio de Segurança Máxima de Campo Grande.

Membro do PCC, Ítalo é especialista em explosivos, além de ser considerado de alta periculosidade. Em outubro de 2017, ele foi preso junto com ‘Tio Arantes’ por participar da explosão de caixas eletrônicos em uma agência bancária. Em 2013, foi denunciado pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) ao lado de ‘Tio Arantes’ e outros por associação ao tráfico.

Considerado líder do PCC, ‘Tio Arantes’ foi preso na Bolívia em 2023. Ele estava foragido desde novembro de 2021, quando escapou do mesmo presídio de onde houve a evasão recente dos detentos, o Centro Penal Agroindustrial da Gameleira.

Agepen nega invasão, confirma evasão de presos

Diante da evasão, a Agepen (Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário) divulgou uma nota negando a invasão ao presídio e o resgate, mas confirmou a fuga dos presos.

A Agepen informou que, na manhã de segunda-feira (20), durante os procedimentos de conferência de rotina no Centro Penal Agroindustrial da Gameleira, em Campo Grande, foi constatada a evasão de três custodiados: Ítalo de Moraes, Bruno Araújo da Silva e Thiago Pereira Costa. A agência afirmou que “não houve confronto, invasão de grupos armados, tampouco registro de indivíduos portando armamento durante a ação”. A estrutura de contenção já foi restabelecida, e um procedimento administrativo foi instaurado para apurar as circunstâncias da evasão.

A partir da verificação da ocorrência, a Polícia Penal adotou imediatamente todas as medidas operacionais previstas. A Diretoria de Operações da Agepen, a Gerência de Inteligência do Sistema Penitenciário e as demais forças de segurança pública foram acionadas, a evasão foi registrada nos sistemas de gestão prisional para o bloqueio dos custodiados, e o fato foi comunicado ao Juízo da 2ª Vara de Execução Penal de Campo Grande para as providências judiciais cabíveis, incluindo a expedição dos respectivos mandados de prisão.

A Agepen destacou que o Centro Penal Agroindustrial da Gameleira é uma unidade de regime semiaberto, de segurança mínima, com características compatíveis com essa modalidade de cumprimento de pena, na qual parte dos custodiados exerce atividade laboral externa durante o dia, retornando à unidade para pernoite; sendo que a estrutura física segue os parâmetros previstos para essa modalidade de execução penal, distintos daqueles adotados em estabelecimentos de segurança máxima.

A agência enfatizou a pronta resposta da Polícia Penal diante da ocorrência e a atuação integrada com as demais forças de segurança, que já realizam diligências e ações de inteligência voltadas à localização e recaptura dos evadidos.

Ataque ao comboio do Bope: contexto similar

A evasão de Ítalo de Moraes ocorreu apenas duas semanas após criminosos atacarem um comboio do Bope (Batalhão de Operações Especiais) para ‘resgatar’ um preso, em 4 de julho. Na época do ataque, as equipes do Bope estariam em quatro viaturas, sendo uma delas descaracterizada, transportando um suspeito de Corumbá com destino a Campo Grande, supostamente vinculado ao PCC.

Na ocasião, os militares teriam parado em um posto de combustíveis às margens da rodovia BR-262, no distrito de Albuquerque, para trocar o pneu de um dos veículos, quando tiros de fuzil foram disparados de uma área de mata. Os tiros, disparados por supostos integrantes do Comando Vermelho, teriam atingido o suspeito, que não resistiu e morreu no local. Investigações apontaram para um possível prêmio em dinheiro, entre R$ 200 mil e R$ 2 milhões, pela vida desse suspeito.

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