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Policial

Laudo da PF nega cocaína em 230 toneladas de madeira em Corumbá

Um laudo oficial da Polícia Federal (PF) confirmou nesta quarta-feira (22) a ausência de cocaína nas 230 toneladas de madeira de aroeira apreendidas há um mês em Corumbá, Mato Grosso do Sul. A conclusão contradiz a suspeita inicial da Receita Federal na Operação Timber Shield, que chegou a classificar a ação como a maior apreensão de drogas da história.
Por Roberto Vieira - Meu MS News
Publicado em 22/07/2026 - 21:50 | Meu MS News
Laudo da PF nega cocaína em 230 toneladas de madeira em Corumbá
Laudo não encontrou cocaína na madeira apreendida (Reprodução, laudo oficial da PF, Estadão)

A defesa das empresas responsáveis pela carga já havia antecipado que a Polícia Federal não encontrara entorpecentes na aroeira. O documento oficial, com 11 páginas, ratifica que não havia uma grama sequer de cocaína oculta nas 230 toneladas de madeira.

A apreensão ocorreu em 21 de junho, durante a Operação Timber Shield, conduzida pela Receita Federal, com a participação do Exército, de órgãos dos Estados Unidos e da Aduana da Bolívia. Na época, a Receita Federal divulgou o caso como uma potencial grande apreensão de drogas.

O laudo 27589/26, elaborado nos laboratórios do Setor Técnico-Científico da Polícia Federal em Mato Grosso do Sul, foi finalizado em 17 de julho. O documento conclui: “Todos os testes e exames instrumentais descritos resultaram negativos para a presença de cocaína impregnada nas amostras de madeira encaminhadas a exame pericial”.

Logo após a apreensão, agentes submeteram fragmentos de madeira a reagentes químicos para verificar a possível contaminação por cocaína ou outras substâncias proscritas, seja impregnada no interior ou aplicada em forma líquida na superfície. Os retalhos de aroeira foram coletados como amostras da carga que estava em um semirreboque acoplado a um dos caminhões.

De acordo com o relatório Oropesa (Manual Internacional de Investigação e Controle Químico Antinarcóticos de La Paz), citado no laudo, as técnicas para ocultar drogas evoluíram a ponto de iludir cães farejadores e testes com reagentes químicos. No entanto, a densidade e as características da aroeira tornam a madeira pouco propícia para a absorção de soluções contendo cocaína.

Os peritos destacaram que a aroeira é amplamente conhecida por sua extrema densidade, alta dureza e resistência a brocas, fungos e cupins, sendo considerada quase imune ao apodrecimento. Essas características, conforme argumentam os especialistas, fazem com que o material tenha baixa resistência à absorção de umidade, inviabilizando-o como matriz para ocultar a droga.

Os exames foram realizados no laboratório de Química Forense do Setor Técnico-Científico e no laboratório do Instituto de Análises Laboratoriais Forense (IALF) da Coordenadoria Geral de Perícias para análises instrumentais complementares.

A inspeção em campo contou com o auxílio de cães farejadores, treinados pela Marinha/3º Batalhão de Operações Ribeirinhas. Também foram mobilizados soldados da 18ª Brigada de Infantaria do Pantanal para movimentação da carga e do 3º Grupamento Bombeiro Militar, para operação de motoserras e coleta de amostras. Os cães não indicaram a presença de material entorpecente.

Posteriormente, foram selecionadas aleatoriamente algumas peças e, com o uso de motoserras e furadeiras, a equipe recolheu outras nove amostras. Os peritos utilizaram um espectrômetro com laser e o teste de Scott – um exame químico aplicado diretamente no pó de madeira e em diversos pontos dos fragmentos. “Os exames realizados nas amostras recebidas e coletadas resultaram negativos para a presença da substância cocaína ou de outras substâncias consideradas entorpecentes”, conclui o laudo.

O restante das porções foi lacrado em envelope de segurança para envio ao Instituto Nacional de Criminalística, em Brasília, para análises adicionais. A Receita Federal confirmou que aguarda o laudo final do instituto.

Recentemente, a Receita Federal havia informado que o laudo oficial ainda não havia sido emitido, mas a carga permanecia retida, enquanto os caminhões que transportavam o material foram liberados. Na ocasião da megaoperação Timber Shield, não houve prisões em Mato Grosso do Sul.

O delegado da Receita Federal em Cuiabá (MT), Raimundo Mendes, havia afirmado que, se confirmada, seria a maior apreensão de cocaína realizada no Brasil. Contudo, a defesa das empresas envolvidas sempre negou qualquer ilícito na carga. “As diligências policiais tiveram por objetivo justamente aprofundar as investigações e submeter o material apreendido a exames periciais mais específicos, evidenciando que, naquele momento, não havia conclusão definitiva acerca da existência de entorpecente, tampouco qualquer comprovação da participação de eventuais envolvidos em atividades criminosas”, diz trecho da nota da defesa.

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