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Policial

Resgate em Campo Grande: Líder do PCC e especialista em explosivos escapa

Ítalo de Moraes, apontado como membro do Primeiro Comando da Capital (PCC) e especialista em explosivos, figura entre os detentos resgatados do Centro Penal Agroindustrial da Gameleira, em Campo Grande, na madrugada de segunda-feira (20). A fuga, que também envolveu Bruno Araújo da Silva e Thiago Pereira Costa, revela a periculosidade do grupo e suas conexões com a cúpula do crime organizado.
Por Roberto Vieira - Meu MS News
Publicado em 22/07/2026 - 08:50 | Meu MS News
Resgate em Campo Grande: Líder do PCC e especialista em explosivos escapa
Alambrado cortado pelo grupo de criminosos. (Fala Povo Midiamax)

Considerado de alta periculosidade, Ítalo de Moraes, um dos detentos que evadiram do Centro Penal Agroindustrial da Gameleira, em Campo Grande, na madrugada de segunda-feira (20), é apontado como membro do Primeiro Comando da Capital (PCC) e especialista em explosivos. Ele, Bruno Araújo da Silva e Thiago Pereira Costa foram “resgatados” por um grupo armado, levantando preocupações sobre a segurança pública.

A investigação revela que Ítalo é sobrinho de Antenor Motta de Moraes, conhecido como ‘Gugu’, que é casado com uma filha de José Cláudio Arantes, o ‘Tio Arantes’. ‘Gugu’ era, por sua vez, apontado como o principal apoio de ‘Tio Arantes’ em Mato Grosso do Sul para a comercialização de armas ao PCC. Em fevereiro de 2020, ‘Gugu’ esteve envolvido em um incidente onde ameaçou agentes penitenciários no Presídio de Segurança Máxima de Campo Grande.

O histórico criminal de Ítalo de Moraes é extenso. Em outubro de 2017, ele foi detido junto com ‘Tio Arantes’ pela participação na explosão de caixas eletrônicos em uma agência bancária localizada no Parque de Exposições Laucídio Coelho. Além disso, em 2013, Ítalo foi denunciado pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) por associação ao tráfico, ao lado de ‘Tio Arantes’ e outros indivíduos.

José Cláudio Arantes, ‘Tio Arantes’, conhecido como líder do PCC, foi recapturado na Bolívia em 2023. Ele estava foragido desde novembro de 2021, após ter escapado do mesmo Centro Penal Agroindustrial da Gameleira, o presídio de onde ocorreu a recente evasão dos detentos.

Agepen se manifesta sobre a evasão

Diante da repercussão sobre a fuga, a Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário (Agepen) emitiu uma nota oficial. A instituição negou a invasão ao presídio e um resgate orquestrado por grupos armados, mas confirmou a evasão dos três custodiados.

A nota da Agepen detalha que, na manhã de segunda-feira (20), durante a contagem de rotina no Centro Penal Agroindustrial da Gameleira, foi constatada a ausência de Ítalo de Moraes, Bruno Araújo da Silva e Thiago Pereira Costa. A agência reforça que “não houve confronto, invasão de grupos armados, tampouco registro de indivíduos portando armamento durante a ação”.

A estrutura de contenção do local, segundo a Agepen, já foi restabelecida e um procedimento administrativo foi instaurado para apurar as circunstâncias da evasão. A Polícia Penal, em conjunto com a Diretoria de Operações da Agepen, a Gerência de Inteligência do Sistema Penitenciário e outras forças de segurança pública, adotou medidas operacionais imediatas. A evasão foi registrada nos sistemas de gestão prisional para bloqueio dos custodiados e o fato comunicado à 2ª Vara de Execução Penal de Campo Grande para as providências judiciais cabíveis, incluindo a expedição dos respectivos mandados de prisão.

A Agepen esclareceu ainda que o Centro Penal Agroindustrial da Gameleira é uma unidade de regime semiaberto, de segurança mínima, compatível com essa modalidade de cumprimento de pena, onde parte dos custodiados exerce atividade laboral externa durante o dia. A estrutura física da unidade é adequada a esses parâmetros, sendo distinta de estabelecimentos de segurança máxima.

Evasão ocorre semanas após ataque a comboio do Bope

Este incidente ocorre cerca de duas semanas após um ataque a um comboio do Batalhão de Operações Especiais (Bope), em 4 de julho. Naquela ocasião, criminosos tentaram resgatar um preso, supostamente ligado ao PCC, que estava sendo transportado de Corumbá para Campo Grande.

O ataque aconteceu quando equipes do Bope, em quatro viaturas, pararam em um posto de combustíveis às margens da rodovia BR-262, no distrito de Albuquerque, para trocar um pneu. Tiros de fuzil foram disparados de uma área de mata por supostos integrantes do Comando Vermelho, atingindo o suspeito que, diferentemente do caso recente, não resistiu e morreu no local. Informações da época indicavam a existência de um prêmio em dinheiro, entre R$ 200 mil e R$ 2 milhões, pela vida desse alvo.

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