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Policial

Idosa em Campo Grande sofre cárcere privado e ameaças de morte

Um idoso de 78 anos foi preso em Campo Grande acusado de manter sua companheira, de 73 anos, em cárcere privado, proibi-la de comparecer ao velório do próprio filho e ameaçá-la de morte. A prisão em flagrante, realizada pela Deam, culminou na conversão para prisão preventiva nesta quinta-feira (23).
Por Roberto Vieira - Meu MS News
Publicado em 23/07/2026 - 13:31 | Meu MS News
Idosa em Campo Grande sofre cárcere privado e ameaças de morte
Caso foi registrado na Deam. (Foto: Henrique Arakaki, Jornal Midiamax)

O jardineiro, de 78 anos, que mantinha a companheira, de 73 anos, em cárcere privado e a impediu de ir ao velório do próprio filho em Campo Grande, ameaçou a vítima de morte ao ser confrontado pela filha. Ele foi preso em flagrante pela equipe da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) na quarta-feira (22), acusado de sequestro e cárcere privado, injúria e ameaça. Durante audiência de custódia nesta quinta-feira (23), sua prisão foi convertida em preventiva.

À polícia, a idosa relatou ter sido agredida anteriormente e que é frequentemente alvo de xingamentos e humilhações. Na madrugada que antecedeu a prisão do agressor, ela foi ameaçada de morte. A filha do casal informou aos policiais que, ao visitar os pais pela manhã, encontrou a mãe em estado de choque e visivelmente trêmula. A idosa revelou à filha que o marido a perturbou a noite toda com xingamentos e ameaças.

Ao confrontar o pai, a filha também ouviu ameaças de morte direcionadas à mãe. Segundo seu relato, o homem exigiu que a filha retirasse a vítima do imóvel, afirmando: “se não vai ser o final dela”. Na ocasião, o jardineiro estava com uma faca. A filha acrescentou em seu depoimento que o homem impedia a idosa de sair de casa e de visitar os próprios filhos, reiterando que ela foi proibida de ir ao velório do filho falecido.

A idosa e a filha solicitaram medidas protetivas de urgência contra o jardineiro. Durante seu interrogatório, o suspeito negou todas as acusações de ameaças e xingamentos contra a esposa e a filha, bem como negou tê-la proibido de sair de casa.

Cárcere privado e agressões

A filha do casal, ao chegar à residência, encontrou a mãe profundamente abalada. A idosa relatou ter passado a madrugada sob ameaça do marido, que portava uma faca. Ao questionar o pai sobre as agressões, a filha também foi ameaçada. Ele afirmou que a idosa deveria aceitar suas ordens e seu relacionamento extraconjugal. “Saia daqui, senão você vai ver o que vou fazer com você também”, disse o pai à filha.

Diante dos fatos, a filha solicitou uma corrida por aplicativo e levou a mãe à Deam, onde a idosa pediu medida protetiva de urgência.

Violência e proibição no velório do filho

Na delegacia especializada, a idosa contou que convive com o suspeito há mais de cinco décadas e que as agressões ocorriam há anos. O suspeito também praticava violência psicológica, ameaças, injúrias e privação de liberdade. Segundo o boletim de ocorrência, a idosa era frequentemente mantida trancada em casa, humilhada, intimidada e torturada psicologicamente.

Dois dias antes da prisão do agressor, a vítima havia perdido um filho e foi proibida de comparecer ao velório e sepultamento. À polícia, a idosa também relatou que o marido mantém um relacionamento extraconjugal e insistia para que ela aceitasse que a outra mulher morasse na mesma casa, além de ofendê-la com palavras de baixo-calão.

Após o registro do boletim de ocorrência, uma equipe da Deam dirigiu-se à residência do casal e efetuou a prisão do jardineiro.

Onde buscar ajuda

No Brasil, existem diversos canais de apoio para mulheres em situação de violência. Em Campo Grande, a Casa da Mulher Brasileira, localizada na Rua Brasília, s/n, no Jardim Imá, oferece atendimento 24 horas, incluindo fins de semana. Além da Deam, a Casa da Mulher Brasileira integra serviços como Defensoria Pública, Ministério Público, Vara Judicial de Medidas Protetivas, atendimento social e psicológico, alojamento e espaço para crianças (brinquedoteca), além da Patrulha Maria da Penha e Guarda Municipal. O telefone para contato é 153.

Outros números importantes são o 180, Central de Atendimento à Mulher, que garante anonimato e oferece acolhimento, orientação e encaminhamento para serviços de apoio em todo o Brasil (não para emergências), e o 190 para emergências. O serviço 180 funciona 24 horas por dia, 7 dias por semana, inclusive feriados. No Promuse (Programa Mulher Segura), o telefone para ligações e mensagens via WhatsApp é (67) 99180-0542.

Delegacias de Atendimento à Mulher (DAMs) também estão disponíveis em diversas cidades do interior, como Aquidauana, Bataguassu, Corumbá, Coxim, Dourados, Fátima do Sul, Jardim, Naviraí, Nova Andradina, Paranaíba, Ponta Porã e Três Lagoas.

Em casos de deszelo ou má conduta policial, é possível denunciar diretamente na Corregedoria da Polícia Civil de MS pelo telefone (67) 3314-1896 ou no GACEP (Grupo de Atuação Especial de Controle Externo da Atividade Policial) do Ministério Público de MS pelos telefones (67) 3316-2836, (67) 3316-2837 e (67) 9321-3931.

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