Júri de Sidrolândia: 3 condenados e 1 absolvida por morte de pintor
João Pedro Lopes recebeu uma sentença de 15 anos e seis meses de prisão pela morte do pintor Magno Fernandes Monteiro, ocorrida em Sidrolândia, município localizado a 70 quilômetros da capital Campo Grande. O desfecho do julgamento realizado pelo Tribunal do Júri resultou na condenação de outros dois réus e na absolvição de uma mulher envolvida no caso.
O pintor foi vítima de uma execução brutal, sofrendo golpes de martelo e facadas, sendo posteriormente enterrado vivo no quintal de sua própria casa. Magno Fernandes Monteiro permaneceu desaparecido por seis meses até que seu corpo fosse descoberto em 22 de maio de 2024. Na época das investigações, um dos suspeitos foi identificado, preso e confessou o crime, indicando a participação de mais duas pessoas.
Nesta quinta-feira (23), João Pedro Lopes, Otávio Miguel Santos de Souza, Jailson da Conceição do Nascimento e Natally Machado da Silva foram julgados em Sidrolândia. O júri, que se estendeu até a noite, culminou com a condenação de João Pedro, que confessou aos jurados ter desferido as facadas contra a vítima. Ele foi sentenciado a 15 anos e seis meses de reclusão.
Jailson da Conceição do Nascimento foi condenado por lesão corporal seguida de morte e ocultação de cadáver, recebendo uma pena de 5 anos e 19 dias. Contudo, devido ao tempo já cumprido de aproximadamente 2 anos e 2 meses, Jailson responderá em liberdade.
Otávio Miguel Santos de Souza relatou aos jurados que, no dia da execução, foi ao local a convite de João Pedro, acreditando que apenas dariam um “susto” no pintor. Ele alegou possuir uma dívida com João Pedro e estar sob ameaça. Otávio negou envolvimento direto na morte, afirmando ter auxiliado apenas na escavação da cova e no enterro do corpo no quintal. Ele foi condenado a 1 ano e dez dias por ocultação de cadáver e, por já ter cumprido um período maior de prisão preventiva, será colocado em liberdade.
Natally Machado da Silva, que estava presa desde maio de 2024, quando a ossada do pintor foi encontrada, foi absolvida pelo Conselho de Sentença.
Investigação Inicial
Inicialmente, a linha de investigação para o desaparecimento do pintor apontava para uma possível dívida relacionada a drogas, devido ao seu histórico de usuário. Contudo, cerca de dois meses antes da descoberta do corpo, uma mulher, também investigada por envolvimento no caso, compareceu à delegacia para registrar um boletim de ocorrência por violência doméstica.
Na ocasião, ela relatou que seu namorado e principal suspeito do crime – disse que faria com ela o mesmo que fez com Magno, ou seja, que a mataria e enterraria o corpo no quintal da residência. Após esse registro, a Polícia Civil passou a ter o namorado da mulher como o principal autor do crime.
Depois que a ossada foi encontrada enterrada no quintal da casa de Magno, o autor foi preso em flagrante. Ele inicialmente mudou seu depoimento, negando participação no crime, mas acabou confessando a autoria. “Ele chegou a prestar depoimento na delegacia sobre os fatos na época, mas negou a autoria e naquele momento não realizamos sua prisão, pois não tínhamos elementos concretos para mantê-la”, explicou a delegada Cynthia.
Dois indivíduos foram presos e um terceiro envolvido permanece foragido. Eles serão indiciados por homicídio qualificado (por motivo fútil, com emprego de meio cruel e por recursos que impediram a defesa da vítima) e por ocultação de cadáver. Outras duas testemunhas e uma mulher, investigada por prestação de auxílio material no homicídio, foram ouvidas.
Ossada de Magno no local em que foi encontrada. (Reprodução, Polícia Civil)
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