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Policial

Feminicídio em MS: O Ciclo de Violência e a Culpa da Vítima

O feminicídio ainda gera debates sobre a culpabilização da vítima. Comentários em redes sociais frequentemente minimizam a violência contra a mulher. Quatro mulheres são mortas diariamente no Brasil por razões de gênero. Mato Grosso do Sul registrou 16 feminicídios desde o início de 2026. Um caso recente é o de Terezinha Nantes de Arruda, 54 anos. Ela foi encontrada morta em 27 de maio. O corpo estava ao lado do esposo, Joel Escócia Carvalho, 59, na Vila Bandeirantes, Campo Grande. A Polícia investiga como feminicídio seguido de suicídio.
Por Roberto Vieira - Meu MS News
Publicado em 28/07/2026 - 15:26 | Meu MS News
Feminicídio em MS: O Ciclo de Violência e a Culpa da Vítima
Testemunhas encontraram casal morto na casa de Terezinha. (Foto: Léo de França, Midiamax)

Terezinha Nantes de Arruda e Joel Escócia Carvalho estavam juntos há 30 anos. A vítima manifestava o desejo de se separar. Estes casos revelam histórias marcadas por medo, silêncio e violência.

Feminicídios em Mato Grosso do Sul

Por trás dos números, existem nomes de mulheres que perderam a vida por razões de gênero.

  • Josefa
  • Rosana
  • Nilza
  • Beatriz
  • Liliane
  • Leise
  • Ereni
  • Fátima
  • Marlene
  • Vera
  • Olizandra
  • Graciane
  • Paula
  • Rosenilda
  • Terezinha

Manuela Nicodemos é Subsecretária de Políticas Públicas para Mulheres no Estado. Ela explica que a sociedade historicamente controlou a vida e o corpo das mulheres. Em muitos lugares, seus direitos foram negados. O silenciamento fez parte dessa narrativa.

Nicodemos afirma: “Não nos foi permitido o lugar do sujeito social de direito. Portanto, éramos o segundo sexo”. Este controle ainda culpabiliza a vítima e inocenta o agressor.

Culpa da Vítima Persiste

A subsecretária desabafa sobre a percepção pública. “Uma mulher é vítima de violência doméstica, familiar, psicológica, sexual, vítima de feminicídio. E, ainda assim, é culpada pela própria morte.”

Comentários como “Falta de aviso não foi” são recorrentes em publicações. Eles aparecem em casos de violência doméstica, tentativas de assassinato e feminicídios. Parte da sociedade direciona o olhar para a vítima. Questiona-se o relacionamento, o tempo de permanência ou a decisão de não denunciar. Em vez disso, deveríamos questionar a atitude do agressor.

Violência Começa Sutil

A violência contra a mulher não inicia com agressões físicas. Ela começa com sutilezas como desvalorizar, humilhar e ameaçar. Quando os primeiros sinais surgem, a vítima nem sempre os identifica como violência. Este processo gradual foi vivido por uma mulher de Campo Grande. Seu ex-companheiro incendiou a casa dela em novembro de 2025, no bairro Tijuca.

O relacionamento, segundo ela, sempre foi conturbado. Após o término, o homem perseguiu e ameaçou a vítima por meses. Um dia, ele colocou fogo no imóvel, que foi completamente destruído. “Há uns três dias, ele já tinha mandado uma mensagem dizendo: ‘Se você não vir aqui, vou queimar sua casa’”, detalhou a mulher, com a voz embargada.

Perguntas Sem Resposta

Muitos questionam o porquê de as mulheres entrarem nesses relacionamentos. A subsecretária tem a resposta: “Nenhuma mulher sonha, quando começa um relacionamento, que vai viver na base do medo, da insegurança ou da violência… Em um relacionamento afetivo, a gente busca amor, prazer, liberdade e alegria”.

Falas comuns sugerem que as vítimas merecem o sofrimento. Elas também pressupõem que apenas o parceiro romântico pode agredir. Os dados do monitor da violência do Sigo mostram 11.419 casos de violência doméstica em 2026. Estes foram registrados até 19 de julho. Os agressores são cônjuges e namorados. Mas também podem ser pais, irmãos e filhos.

A subsecretária Manuela Nicodemos explica que a violência é de gênero e misógina. “A gente vem observando um aumento de violência contra as mulheres idosas, praticada por seus filhos, um aumento de feminicídio de filho contra mãe.”

Para Além do Relacionamento

Um caso recente acompanhado pelo Midiamax ilustra isso. Uma mulher sobreviveu a duas tentativas de homicídio. O autor foi seu próprio enteado, de 32 anos. O crime ocorreu no Jardim Centro Oeste, em Campo Grande. A primeira tentativa aconteceu há dez anos. A mulher foi atingida por uma enxadada na cabeça. Mais recentemente, ela sofreu um golpe de facão.

Familiares revelaram que o homem agrediu outras três parentes anteriormente. Estas incluem a ex-companheira, a sogra e a cunhada. Manuela Nicodemos afirma que a falha é de toda a sociedade quando uma mulher morre por feminicídio. “É uma virada de rosto. É não perguntar se precisa de ajuda. Não ligar para a polícia.”

Rede de Proteção Essencial

Compreender o ciclo da violência é crucial para sair dele. A polícia é uma porta de entrada para a rede de proteção. Contudo, muitas mulheres buscam ajuda primeiramente com familiares ou amigos. Também recorrem a outros serviços públicos. Manuela defende que profissionais de diversas áreas estejam preparados. Assistência social, saúde, educação e segurança pública devem acolher e orientar mulheres.

Programa Proteja Oferece Ajuda

O Governo de Mato Grosso do Sul criou o programa estadual Proteja. Ele combate a violência contra as mulheres. O programa desenvolveu “Vitória”, uma assistente virtual por inteligência artificial. Ela está disponível via WhatsApp. A ferramenta reúne informações sobre políticas públicas e serviços. Permite acesso facilitado em qualquer local com conexão.

A assistente virtual orienta sobre programas como:

  • EJA Mulher: para quem deseja retomar os estudos.
  • Recomeços: apoio financeiro para mulheres que deixam casas-abrigo.
  • Informações sobre a rede de atendimento mais próxima para vítimas de violência ou mulheres com medida protetiva em risco.

Para interagir com Vitória, basta entrar em contato pelo número (67) 3348-6657.

Canais de Denúncia

A Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180 é um serviço de utilidade pública. Ele é essencial para o enfrentamento à violência contra as mulheres. O atendimento é gratuito e funciona 24 horas por dia, todos os dias da semana. Disponível via telefone ou WhatsApp: (61) 9610-0180.

O Ligue 180 oferece:

  • Orientação sobre leis, direitos das mulheres e serviços da rede.
  • Localização dos serviços especializados de atendimento.
  • Registro e encaminhamento de denúncias aos órgãos competentes.

Vítimas de violência podem recorrer à Casa da Mulher Brasileira. Ela está localizada na Rua Brasília, Jardim Imá, em Campo Grande (MS). O telefone é (67) 2020-1300. Para encontrar as DAMs no interior, clique aqui. Em casos de emergência, acione a Polícia Militar pelo 190.

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