Gianni Infantino enfrenta a maior crise na Fifa após recuo em plano de terceirizar a Copa do Mundo
Em carta enviada à “família Fifa” nesta semana, Gianni Infantino confirmou o recuo na proposta de terceirizar a Copa do Mundo e pediu desculpas. O episódio é inédito na gestão do suíço de 56 anos.
Plano de vender 20% da Copa encontra resistência
A Fifa enfrenta a maior crise da era Infantino depois que o plano Fifa Forward Entreprise (FFE) veio a público. O projeto previa transferir 20% dos direitos comerciais do Mundial para investidores privados.
- Projeto: Fifa Forward Entreprise (FFE).
- Participação: 20% dos direitos comerciais da Copa do Mundo.
- Principal nome: Joshua Kushner, irmão do genro de Donald Trump.
- Reação: federações europeias retiraram o endosso ao quarto mandato de Infantino.
Da Uefa à Fifa: a ascensão de Infantino
Advogado suíço, filho de imigrantes italianos, Giovanni Vincenzo Infantino nasceu em Briga, no cantão suíço de Valais. Chegou à Fifa em fevereiro de 2016. Falante de sete idiomas, assumiu para “restaurar a imagem e o respeito da Fifa”.
- Aos 18 anos: presidente de um clube em Briga, no cantão suíço de Valais.
- Aos 30 anos: admitido no departamento jurídico da Uefa.
- Aos 34 anos: diretor.
- Aos 39 anos: secretário-geral.
- Pouco antes dos 46 anos: eleito presidente da Fifa.
Em dez anos no poder, Infantino sempre foi para frente. O pedido de desculpas da carta desta semana é uma novidade na trajetória do dirigente.
Blatter, Trump e as alianças que marcaram a era Infantino
A Fifa de Infantino herdou a crise de Joseph Blatter. Em 2015, agentes do FBI invadiram o hotel Baur au Lac, em Zurique. Blatter não foi preso como José Maria Marin, então presidente da CBF.
Michel Platini, então presidente da Uefa, era o nome da sucessão. Uma denúncia de propina inviabilizou o plano. Ambos foram absolvidos anos depois.
O caso respingou em dirigentes brasileiros. João Havelange e o ex-genro Ricardo Teixeira tiveram a reputação comprometida; Teixeira foi banido do esporte.
Infantino também se aproximou do círculo de Trump na Casa Branca. A Fifa nega que a anulação do cartão tenha relação com telefonema de Trump. A Uefa, porém, classificou o episódio como “linha vermelha”.
- Prêmio da Paz: troféu não aprovado entregue a Trump após Nobel ignorar presidente americano.
- Cartão vermelho: Fifa anulou punição a Folarin Balogun após pedido de Trump.
- Copa de 2022: Infantino disse se sentir “mais qatariano, mais árabe, mais gay”.
Fifa distribui R$ 13 bilhões e amplia a Copa do Mundo
A gestão Infantino também é marcada por dinheiro. O investimento no programa de desenvolvimento do futebol dobrou de tamanho.
- Valor: EUR 2,25 bilhões (R$ 13 bilhões) entre 2023 e 2026.
- Beneficiários: 211 federações e confederações afiliadas.
- Copa de 2026: 48 seleções, 104 jogos, três países-sede.
Com 211 nações afiliadas, a Fifa gosta de lembrar que é maior do que a ONU. O Mundial de 2026 é o primeiro projeto completo da gestão Infantino.
Oposição cresce e ameaça quarto mandato de Infantino
Europeus exigem a renúncia de Infantino. Concacaf e AFC resistem ao FFE; a CAF mantém confiança no dirigente. A Conmebol, como de praxe, não se posiciona.
Victor Montagliani, presidente da Concacaf, deseja o cargo, mas não há nome de consenso. Infantino deve tentar o quarto mandato em 2027.
O recuo pode ter debelado um motim interno. Infantino nega ter oferecido a final de 2030 ao Marrocos. Nos próximos discursos, deve voltar a prometer inclusão e Copas com 64 seleções. Receitas antigas que funcionam na Fifa há décadas.
O santuário das araras no abismo
O Buraco das Araras, em Jardim, é uma cratera gigantesca de calcário com quase 100 metros de profundidade que se transformou num refúgio intocável de nidificação para centenas de araras vermelhas.
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