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Esportes

Samuel Ongaratto, da Fatal, diz que patrocínio de R$ 22 mi ao Corinthians busca naturalizar conteúdo adulto

Cofundador da Fatal afirma que expor a marca no Corinthians transfere credibilidade e busca naturalizar o mercado adulto no Brasil.
Por Roberto Vieira - Meu MS News
Publicado em 07/08/2026 - 20:41 | Meu MS News
Samuel Ongaratto, da Fatal, diz que patrocínio de R$ 22 mi ao Corinthians busca naturalizar conteúdo adulto
© Shutterstock

A Atlas Technologies, dona da Fatal Fans, fechou um contrato de R$ 22 milhões com o Corinthians até 2027. O acordo foi firmado em meio à crise financeira do clube, que tem dívida entre R$ 2,4 bilhões e R$ 2,7 bilhões.

Para o cofundador e diretor de negócios, Samuel Ongaratto, o objetivo do patrocínio é naturalizar a presença de conteúdo adulto no cotidiano dos brasileiros.

Estratégia do patrocínio da Fatal no Corinthians

“Quando você coloca a marca de um site adulto em um lugar de prestígio, ao lado de marcas que têm confiabilidade, essa confiabilidade passa para ela por osmose”, avalia Ongaratto. “É por isso que a gente fez esse investimento no Corinthians. Porque, se fizermos um cálculo do retorno deste investimento, não há conta que o justifique”, explica.

Segundo ele, a credibilidade obtida em campos e quadras também pode aumentar a confiança dos usuários. “Isso faz com que pessoas que tinham vontade, mas não tinham coragem de acessar o site por medo de que ele colocasse um vírus no computador, tenham tranquilidade para acessá-lo.”

Como funcionam a Fatal Fans e a Fatal Models

A Fatal Fans é uma plataforma de assinatura de conteúdo adulto, no modelo do OnlyFans. A empresa retém 15% de cada transação. Já a Fatal Models reúne perfis de acompanhantes. Confira os detalhes:

  • Fatal Fans: cerca de 30 mil criadores, 7 milhões de visitas mensais, conteúdo pago com fotos e vídeos eróticos.
  • Fatal Models: 30 milhões de acessos por mês, previsão de faturamento de R$ 180 milhões em 2026, perfis gratuitos para profissionais do sexo, com impulsionamento pago. Já patrocinou o Vitória.

Polêmica sobre publicidade e proteção de crianças

O contrato gerou debates nacionais sobre os limites da publicidade no esporte e a exposição de menores. Representações foram encaminhadas ao Ministério Público de São Paulo, após um histórico de batalhas judiciais em Alagoas com base no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

Também foram protocolados projetos de lei para proibir publicidade de conteúdo adulto em espaços públicos e eventos esportivos. São autoras as deputadas Maria Helou (PSOL), Sâmia Bonfim (PSOL-SP) e Tábata Amaral (PSD-SP).

Ongaratto rebate as críticas. “Eu me preocuparia mais com uma criança no estádio de futebol vendo o tiozão do lado xingando a mãe do juiz do que com uma propaganda sobre a qual eu acho improvável que ela pergunte alguma coisa”, afirma. Ele defende que a propaganda não é direcionada a crianças e não tem sensualização.

Verificação de idade e o ECA Digital

Ongaratto afirma que a Fatal Models implantou sistema de aferição de idade para impedir o acesso de menores de 18 anos. No entanto, a repórter acessou as duas plataformas sem qualquer verificação. Segundo ele, a ferramenta só estava em funcionamento em Maceió.

“Fomos a primeira empresa a implementar esse sistema, em março, quando a lei do ECA Digital entrou em vigor. Mas a ANPD informou que a fiscalização dos sites adultos só começaria em janeiro do próximo ano. Ficamos sozinhos no mercado operando com aferição de idade”, disse. Ele explica que a empresa suspendeu o sistema temporariamente por “desequilíbrio concorrencial” e está aperfeiçoando a ferramenta.

Sobre a Fatal Fans, ele garante: “Para ter acesso, tem que pagar. E, na hora do pagamento, há aferição de idade e identificação do usuário. Se for menor de 18, a compra é estornada.” Quando a repórter questionou sobre imagens de forte apelo sexual na página inicial, Ongaratto disse que a empresa procura retirar imagens “mais erotizadas” e comparou o conteúdo ao de redes sociais.

O Corinthians responde

O clube informou, em nota, que se certificou de que a Fatal Fans opera em conformidade com o ECA Digital e que o conteúdo só é acessível mediante assinatura com verificação de CPF. O Corinthians afirmou ainda que não haverá comunicação ativa convidando para o site nem publicidade com conotação de objetificação ou erotização.

Ongaratto reconhece que a repercussão tende a gerar efeitos comerciais. “Toda polêmica gera curiosidade.”

Consumo compulsivo e estigma no setor

Sobre o consumo compulsivo de pornografia, o executivo admite que a empresa ainda não tem políticas específicas. Ele considera o tema relevante, mas reconhece que a discussão carece de mais debate. A Fatal tampouco financia pesquisas sobre os impactos do consumo excessivo.

Ongaratto defende a redução do estigma em torno de profissionais do sexo e criadores de conteúdo adulto. “Esse mercado historicamente foi colocado debaixo do tapete. Há quem coloque a mulher que produz conteúdo adulto abaixo da mulher que escolheu como profissão jogar futebol. São funções legítimas e que cumprem um papel social”, diz.

Questionado se respeitaria uma eventual escolha das filhas por essas profissões, ele respondeu: “Eu respeitaria a decisão delas e daria as melhores recomendações possíveis para que elas possam estar nessa profissão da maneira mais segura possível, com sucesso.”

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