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Policial

Mato Grosso do Sul lidera violência contra indígenas pelo 5º ano consecutivo, com 37 assassinatos em 2025

Estado registrou 41 mortes e 102 casos de violência, maior número da série histórica do Cimi.
Por Roberto Vieira - Meu MS News
Publicado em 17/08/2026 - 14:38 | Meu MS News
Mato Grosso do Sul lidera violência contra indígenas pelo 5º ano consecutivo, com 37 assassinatos em 2025
Indígenas feridos em terra indígena de Caarapó. (Foto: Comissão de Direitos Humanos)

Mato Grosso do Sul foi, pelo quinto ano seguido, o estado com maior índice de violência contra a pessoa indígena no Brasil. Em 2025, foram 41 mortes, sendo 37 assassinatos e quatro homicídios culposos. Ao todo, o Estado contabilizou 102 ocorrências de violência, a primeira vez que ultrapassou a marca de 100 casos.

Os dados são do Relatório de Violência Contra os Povos Indígenas no Brasil, divulgado pelo Conselho Indigenista Missionário (Cimi) nesta quinta-feira (13). O conselho classifica como “violência contra a pessoa” crimes como abuso de poder, ameaça de morte, assassinatos, ameaças várias, homicídio culposo, lesão corporal, racismo, discriminação étnico-cultural, tentativa de assassinato e violências sexuais.

Assassinatos em alta no estado e no país

O Brasil registrou 258 assassinatos de indígenas em 2025, um aumento de 22% em relação aos 211 de 2024. A série histórica mostra crescimento contínuo desde 2021: 176 assassinatos naquele ano, seguidos por 180 em 2022, 208 em 2023, 211 em 2024 e 258 em 2025.

Em Mato Grosso do Sul, foram 37 assassinatos no último ano, alta de 12% frente aos 33 de 2024. Das 37 vítimas, 33 eram homens e quatro mulheres. A média do Estado nos últimos seis anos é de 36,6 assassinatos por ano. O levantamento próprio do Cimi detalhou 18 casos, com Dourados sendo o município mais citado (sete assassinatos). A etnia mais frequente entre as vítimas foi a Guarani-Kaiowá, com seis mortes.

Abuso de poder e lesão corporal

Mato Grosso do Sul liderou o índice de abuso de poder em 2025, com sete casos. Indígenas relataram intensificação de rondas ostensivas, pressão policial contínua e forte impacto emocional, especialmente entre crianças e idosos. A intimidação e a repressão policial foram os meios mais usados para pressionar a retirada dos povos originários das terras indígenas. Em 2024, o Estado havia registrado dois casos, e em 2023, seis.

No quesito lesão corporal, dos 33 casos nacionais, mais da metade (18) ocorreu em Mato Grosso do Sul. As ocorrências incluem esfaqueamentos, violência doméstica, acidentes e assaltos. Destaca-se um caso em que quatro indígenas, entre elas três mulheres e um adolescente de 14 anos, foram atingidos por balas de borracha da Polícia Militar durante protesto. Cinco pessoas, incluindo duas gestantes, sofreram intoxicação por fumaça de bombas de gás. Nos anos anteriores, MS registrou 13 (2024) e 10 (2023) casos de lesão corporal.

Violência patrimonial, suicídios e omissão do poder público

Além dos crimes contra a pessoa, Mato Grosso do Sul foi o segundo estado com mais violências contra o patrimônio (192) e suicídios (42). Também ocupou o quarto lugar em violências por omissão do poder público (39).

Os dados do Cimi reforçam a gravidade da situação dos povos indígenas no estado, que concentra 21% dos 474 casos de violência contra a pessoa indígena registrados em todo o Brasil em 2025.

Mascote Capy
🧉 Papo de Capivara

A árvore que fornece remédio e corante

Além do fruto e da madeira resistente, partes da árvore da guavira e de plantas nativas vizinhas eram usadas historicamente pelas comunidades locais para infusões medicinais e tingimento natural.

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