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Policial

Família de fisioterapeuta morta em Campo Grande critica médico: ‘único erro foi conhecê-lo’

Inquérito policial concluiu que Fabíola Marcotti, de 51 anos, foi vítima de feminicídio. Médico João Jazbik Neto teve prisão preventiva decretada.
Por Roberto Vieira - Meu MS News
Publicado em 18/08/2026 - 07:17 | Meu MS News
Família de fisioterapeuta morta em Campo Grande critica médico: ‘único erro foi conhecê-lo’
Fabíola Marcotti, de 51 anos. (Reprodução)

A família da fisioterapeuta Fabíola Marcotti, de 51 anos, reagiu com indignação à conclusão do inquérito policial que apontou feminicídio. O irmão da vítima afirmou ao Jornal Midiamax que o único erro dela foi ter conhecido o médico João Jazbik Neto, de 78 anos.

“Desde o início, tínhamos certeza de que Fabíola nunca faria nada contra a vida dela. Sempre foi uma pessoa do diálogo. O único e mais grave erro dela foi ter conhecido este monstro”, disse o irmão.

A prisão preventiva do médico foi decretada na última sexta-feira (14). Hoje completam-se três meses da morte de Fabíola, encontrada com perfurações de tiro na cabeça em 18 de maio, em uma propriedade na Chácara dos Poderes, em Campo Grande (MS).

Feminicídio confirmado pela Polícia Civil

Na segunda-feira (17), a Polícia Civil de Mato Grosso do Sul (PCMS), por meio da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam), informou oficialmente que o caso foi tratado como feminicídio. Mato Grosso do Sul já registrou 21 casos deste tipo em 2026.

O irmão de Fabíola relembrou que ela era proibida de fazer várias atividades após viver com o médico. “Após o período em que foi viver com ele, foi mudando. Primeiro, se afastou das melhores amigas. Era proibida de fazer inúmeras coisas, deixou de ter vida social. Deixou de ter a própria”, contou.

Defesa da família pede justiça

A defesa da família, representada pelo advogado Márcio Leonardo Almeida das Virgens, emitiu nota técnica sobre o caso. “Não estamos diante de uma simples conclusão unilateral da autoridade policial. Houve investigação técnica, produção de laudos periciais, representação da Polícia Civil, manifestação favorável do Ministério Público e análise judicial que decretou a prisão preventiva”, afirmou.

O advogado destacou que o direito à ampla defesa e ao contraditório será exercido no momento processual adequado. “Mas esses direitos não tornam inexistentes os elementos colhidos durante a investigação”, complementou.

Prisão mantida pela Justiça

Durante audiência de custódia no sábado (15), a Justiça manteve a prisão de João. A ordem foi expedida pelo juiz Aluízio Pereira dos Santos, da 2ª Vara do Tribunal do Júri de Campo Grande. O cardiologista passou por exame de corpo de delito no Instituto de Medicina e Odontologia Legal (Imol), que não apontou lesões recentes.

O médico confirmou ao juiz Francisco Soliman que não sofreu maus-tratos durante a prisão. A defesa pediu revogação da prisão e encaminhamento ao Centro de Triagem por questões de idade e saúde. O magistrado não reconheceu o pedido de revogação, mas recomendou a transferência para o Centro de Triagem.

Em nota, o advogado do médico, José Belga Assis Trad, afirmou que ele “se mantém firme na sua versão” e que o inquérito policial é fase inquisitiva, sem contraditório. “O Dr. João Jazbik se mantém firme na sua versão e lamenta todo tipo de exploração enviesada e sensacionalista da tragédia”, disse a defesa.

Relembre o caso

Fabíola foi encontrada morta com um tiro na cabeça em sua casa, na Chácara dos Poderes, em Campo Grande, em 18 de maio. O médico acionou a polícia e alegou suicídio. Aos militares, disse que a esposa realizou atividades de rotina matinal e depois foi ao andar superior.

  • Versão do médico: Estranhou a demora, subiu, encontrou porta fechada, bateu sem resposta, desceu, ligou para Fabíola sem sucesso e ouviu um disparo.
  • Local do crime: Quarto do casal no andar superior da residência.
  • Armas: Médico foi preso no dia da morte por posse irregular de arma de fogo, após polícia encontrar armamento sem documentação.

O caso segue sob investigação. A família pede “verdade, justiça e respeito à memória de Fabíola”.

Canais de ajuda em MS

Em Campo Grande, a Casa da Mulher Brasileira funciona 24 horas na Rua Brasília, s/n, Jardim Imá. Oferece acolhimento, orientação e encaminhamento para serviços da rede de enfrentamento à violência.

  • Telefones: 180 (atenção à mulher, não emergencial) e 190 (emergência).
  • Promuse (MS): WhatsApp (67) 99180-0542.
  • Delegacias no interior: Presentes em Aquidauana, Bataguassu, Corumbá, Coxim, Dourados, Fátima do Sul, Jardim, Naviraí, Nova Andradina, Paranaíba, Ponta Porã e Três Lagoas.
  • Denúncias sobre atuação policial: Corregedoria da Polícia Civil (67) 3314-1896 ou Gacep/MPMS (67) 3316-2836 e (67) 9321-3931.
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