Razuk usava licença da Paraíba para legalizar rifas ilegais, diz investigação
Preso durante a Operação Rodas da Sorte, o influenciador digital Eduardo Razuk é investigado por usar uma licença da Loteria da Paraíba (Lotep) para dar aparência de legalidade a sorteios digitais de veículos de luxo. A rede movimentou cerca de R$ 100 milhões em seis meses, segundo a Polícia Civil de Mato Grosso do Sul.
Empresa paraibana emprestava licença para influenciador
Conforme a apuração, Razuk utilizava a licença da FM Agenciamento Publicitário & Intermediação de Negócios Ltda, empresa com cadastro ativo na Lotep na modalidade passiva (sorteios). A ponte entre o influenciador e a detentora da licença era feita por uma agência no Rio de Janeiro, que também é investigada por lavagem de dinheiro para o tráfico.
A FM atuava como um “testa de ferro” regulatório, cedendo o uso do registro para que os sorteios fossem formalmente realizados em nome dela. Isso permitia a venda de bilhetes via PIX em escala nacional, com os lucros repassados a Razuk.
Manobra jurídica para burlar legislação federal
Na modalidade passiva, Razuk só poderia atuar como garoto-propaganda. No entanto, a investigação aponta que ele organizava os sorteios, comprando os veículos em nome próprio. A manobra tentava contornar a legislação federal em dois pontos:
- Cessão irregular: a licença da Lotep não permite sublocação ou cessão para terceiros realizarem sorteios.
- Jurisdição territorial: o STF determina que autorizações estaduais valem apenas dentro do estado, mas os sorteios atingiam consumidores de todo o país.
Defesa de Razuk alega legalidade dos sorteios
A defesa, representada pelo advogado Tiago Bunning, afirma que a modalidade ‘sorteio virtual’ é permitida e que demonstrará a tese jurídica no processo. Em nota, diz que os sorteios seguiam todas as normas da Lotep e que as relações contratuais eram legais.
Operação Rodas da Sorte apreende R$ 20 milhões em veículos
A operação cumpriu mandados de prisão e busca em Campo Grande, Rio de Janeiro e João Pessoa. Foram apreendidos 22 veículos de luxo avaliados em R$ 20 milhões, além do bloqueio de 5 imóveis e de aproximadamente R$ 500 milhões em contas bancárias. A investigação apura suspeitas de lavagem de dinheiro, associação criminosa e exploração ilegal de loterias.
Outros envolvidos e investigações
O proprietário da FM, Cícero Fabiano Melo Silva, foi preso na Paraíba e encaminhado a um presídio. Ele é apontado como responsável pela exploração de bingos e por lavagem de dinheiro. A defesa dele afirma que o Paraíba Premiado não tem relação com os fatos. Eduardo Razuk foi preso junto com o irmão, Rafael Razuk, também investigado pelos mesmos crimes.
A reportagem procurou a FM, a agência do Rio e a Lotep, mas não obteve retorno até a publicação. O espaço segue aberto para manifestações.
O calor que testa a resistência no campo
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