Justiça nega liberdade a influenciador Razuk preso por rifas ilegais
A Justiça de Mato Grosso do Sul negou o pedido de liberdade do influenciador digital Eduardo Razuk, preso na Operação Rodas da Sorte, deflagrada pela Polícia Civil. A defesa havia solicitado a soltura na semana passada, mas o pedido foi indeferido na noite de segunda-feira (24).
Conforme apurado pelo Midiamax, a prisão foi mantida porque Eduardo teria participação ativa nos sorteios, utilizando suas plataformas digitais para divulgação e também realizando movimentações financeiras. A investigação aponta que o influenciador movimentava mais de R$ 15 milhões por mês com rifas ilegais.
Esquema de rifas ilegais
Razuk usava uma agência intermediadora no Rio de Janeiro e uma operadora credenciada na Paraíba para dar aparência de legalidade aos sorteios de veículos de luxo. A rede movimentou cerca de R$ 100 milhões em seis meses. As contas do influenciador nas redes sociais foram bloqueadas pela Justiça.
A licença da FM Agenciamento Publicitário & Intermediação de Negócios Ltda. (CNPJ 30.999.856/0001-83), com cadastro ativo na Lotep (Loteria do Estado da Paraíba), era usada exclusivamente na modalidade passiva (sorteios).
Uma segunda agência, no Rio de Janeiro, fazia a ponte comercial entre Razuk e a detentora da licença. Essa empresa também é investigada por lavagem de dinheiro para o tráfico de drogas.
Manobra para burlar a legislação
Na modalidade de loteria passiva, o influenciador poderia atuar apenas como garoto-propaganda. No entanto, a apuração revela que Razuk organizava os sorteios, comprando os veículos em nome próprio para realizar as rifas.
- Primeira irregularidade: sublocação ou cessão do registro da Lotep, o que não é permitido.
- Segunda irregularidade: burla à jurisdição, já que autorizações de loterias estaduais, segundo STF, têm abrangência estritamente territorial.
- Consequência: para comercializar sorteios em todo o Brasil seria necessário aval de autoridades nacionais.
A defesa de Eduardo Razuk, representada pelo advogado Tiago Bunning, afirmou que a modalidade ‘sorteio virtual’ é permitida. “Isso será comprovado no processo”, disse.
Operação Rodas da Sorte
A operação cumpriu mandados de prisão e busca em Campo Grande, Rio de Janeiro e João Pessoa. Foram apreendidos 22 veículos de luxo avaliados em R$ 20 milhões, além da indisponibilidade de 5 imóveis e de aproximadamente R$ 500 milhões em contas bancárias.
As investigações apuram suspeitas de lavagem de dinheiro, associação criminosa e exploração ilegal de loterias. O proprietário da FM, Cícero Fabiano Melo Silva, foi preso na Paraíba e encaminhado ao presídio após audiência de custódia.
Eduardo foi preso junto com o irmão, Rafael Razuk, por vendas ilegais de rifas, associação criminosa e lavagem de dinheiro. A reportagem do Midiamax procurou a FM e a agência do Rio de Janeiro, mas não obteve retorno. A Lotep também foi contatada e aguarda posicionamento.
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