Jovem de 19 anos é executado por engano; pai diz que ‘morreu inocentemente’
O empresário Maurício Orsini reforçou nesta quarta-feira (26) que o filho Vitor Orsini, de 19 anos, morreu inocentemente. O rapaz foi executado por engano durante uma emboscada na garagem de veículos da própria família, no dia 7 de agosto, na Rua Hayel Bon Faker, em Dourados, a 225 quilômetros de Campo Grande.
“Morreu inocentemente, fazendo o que ele mais gostava, que era trabalhar. Era um homem já, assim, responsável. Até agora a gente continua sem entender por que aconteceu isso conosco”, disse o empresário, bastante abalado durante coletiva de imprensa da Polícia Civil de Mato Grosso do Sul (PCMS).
Erro na identificação levou à execução
De acordo com o delegado Lucas Albé Veppo, do SIG (Setor de Investigações Gerais), os executores saíram de Ponta Porã sem conhecer pessoalmente o verdadeiro alvo. A identificação equivocada ocorreu quando o piloto da motocicleta apontou Vitor como sendo a pessoa da fotografia. A execução do verdadeiro alvo havia sido encomendada por conta de uma dívida estimada em R$ 300 mil.
Após o crime, os mandantes teriam informado à dupla que a vítima havia sido executada por engano. Uma mensagem dizendo “vocês mataram a pessoa errada” teria sido repassada aos criminosos quando retornaram para Ponta Porã, cidade fronteira com o Paraguai.
Seis pessoas envolvidas na ação criminosa
Segundo a Polícia Civil, seis pessoas participaram do crime. Entre elas, estão os dois executores que saíram de Ponta Porã em uma BMW: o atirador Denis Barbosa de Melo, natural de Brasília, e o piloto da motocicleta. Denis não é pistoleiro profissional e estava na região há cerca de quatro meses, realizando transporte de drogas, tendo aceitado participar do crime para quitar uma dívida.
Também foi preso o empresário Cláudio Henrique de Arruda, de 43 anos, proprietário de uma academia em Ponta Porã. Ele é apontado como responsável por manter contato com Vitor e marcar o encontro que resultou na emboscada. Na residência do suspeito, foram apreendidos dinheiro, joias e uma arma de fogo.
Outros envolvidos e foragidos
- Adolescente de 17 anos: responsável por furtar a motocicleta utilizada na execução e conduzir os criminosos até a garagem. Está internado na Unei.
- Marcos Antonio Olmedo Vera, 23 anos: foragido, apontado como contratante que levou os executores até Dourados.
- Jeferson Lopes, 31 anos: foragido, também apontado como contratante. Ambos teriam ordenado que os executores retornassem para “terminar o serviço” após descobrirem o erro.
O veículo utilizado para transportar os atiradores, uma BMW recentemente vendida, foi localizado por meio de rastreamento com apoio da PRF (Polícia Rodoviária Federal). O carro circulou nas proximidades da garagem no horário do crime.
Dívida e origem ainda sob investigação
A origem da dívida de R$ 300 mil ainda é investigada. Há suspeita de relação com o tráfico de drogas, hipótese que ainda não foi confirmada pela Polícia Civil. O verdadeiro alvo afirmou estar assustado após descobrir que seria a vítima da execução e disse que pretende deixar Dourados por receio de uma nova tentativa de homicídio. O inquérito está em fase final e aguarda apenas a conclusão da perícia nos celulares apreendidos.
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