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Policial

Diário revela ‘Socorro’ de fisioterapeuta morta por cardiologista

Diário de fisioterapeuta morta em Campo Grande registrou violência psicológica e pedidos de socorro antes do feminicídio.
Por Roberto Vieira - Meu MS News
Publicado em 28/08/2026 - 17:48 | Meu MS News
Diário revela ‘Socorro’ de fisioterapeuta morta por cardiologista
Diário escrito a próprio punho de Fabiola. (Reprodução)

Diário de fisioterapeuta morta em Campo Grande registrou violência psicológica e pedidos de socorro antes do feminicídio.

Fabiola Marcotti, de 51 anos, escrevia em folhas de caderno com canetas azul e preta. O diário começou em 2022. Numa passagem, ela chegou a dizer que o caderno havia se tornado um diário. Para a polícia, o documento é a “voz escrita” dela. O companheiro dela, o cardiologista João Jazbik Neto, de 78 anos, foi denunciado pelo feminicídio. O crime ocorreu em 18 de maio, na Estrada EW-01, no bairro Chácara dos Poderes, em Campo Grande.

O último texto foi escrito em 16 de maio, dois dias antes da morte. Nele, Fabiola relatava o sofrimento psicológico e o medo que sentia.

Um relacionamento marcado por abuso psicológico

Conforme a polícia, Fabiola não podia olhar para ninguém nem ter amigos do sexo masculino. O médico controlava os horários e vivia perguntando onde ela estava e com quem. A justificativa dele era simples: ‘porque a amava’.

O feminicídio foi antecedido por inúmeros pedidos de socorro. No diário, Fabiola escreveu: ‘SOCORRO, SOCORRO, SOCORRO’.

Para a polícia, a violência psicológica não é crime menor. ‘Foi a base sobre a qual o feminicídio foi construído. O agressor não matou Fabiola apenas com um golpe e um tiro: ele a matou lentamente, dia após dia’, afirma o documento.

‘Fabiola expõe a violência psicológica em sua forma mais insidiosa: a punição através do silêncio e da indiferença, que a fazia sentir-se anulada, sem vontade própria, vivendo em constante estado de alerta para não desagradar o agressor. A frieza e o silêncio eram armas de tortura psicológica’, frisa o texto.

Últimos registros antes da morte

Em 4 de maio, Fabiola escreveu que estava com saudades da mãe, falecida seis anos antes, em 10 de maio. Ela também citou crise financeira do casal, mas disse que orava pelo médico.

A polícia destaca que a vítima ainda se referia ao agressor como ‘o homem que eu amo’ e ‘a pessoa que acreditei ser o amor da minha vida’. Essa contradição revela o ciclo da violência doméstica, com alternância entre tensão, agressão e ‘lua de mel’.

Dois dias antes de morrer, em 16 de maio, Fabiola escreveu que estava indo para o seu lugar e ficaria ao lado da mãe. Em tom de despedida, mencionou amor eterno pelo companheiro.

Médico alegou suicídio, mas perícia apontou feminicídio

Fabiola foi encontrada morta com um tiro na cabeça em sua casa, uma propriedade na Chácara dos Poderes, em Campo Grande, no dia 18 de maio. O médico acionou a polícia e alegou que a esposa havia cometido suicídio.

Ele contou que a esposa fez atividades de rotina matinal, subiu para o quarto do casal no andar superior e, depois de um tempo, ele ouviu um disparo. O cardiologista chamou o ex-caseiro, e juntos acionaram o 190.

A 1ª Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) instaurou inquérito. O médico foi preso no mesmo dia por posse irregular de arma de fogo, após a polícia encontrar armamento sem documentação na residência.

O laudo necroscópico apontou traumatismo crânioencefálico por ação perfuro-contundente como causa da morte. O laudo pericial concluiu que houve feminicídio. Segundo a denúncia, a vítima foi atingida por um golpe que a fez cair de joelhos, sofreu outro golpe e, já caída, teve a cabeça levantada e foi atingida pelo disparo fatal.

O médico foi denunciado por feminicídio com agravante, fraude processual e posse de arma de fogo de uso restrito. A família de Fabiola sempre negou a hipótese de suicídio.

Onde buscar ajuda em MS

Em Campo Grande, a Casa da Mulher Brasileira fica na Rua Brasília, s/n, no Jardim Imá, e funciona 24 horas, inclusive fins de semana. O espaço reúne a Deam, Defensoria Pública, Ministério Público, Vara Judicial de Medidas Protetivas, atendimento social e psicológico, alojamento, brinquedoteca, Patrulha Maria da Penha e Guarda Municipal.

  • Emergência: 190 (Polícia Militar).
  • Central de Atendimento à Mulher: 180, com atendimento 24 horas e anonimato, mas não é canal de emergência.
  • Promuse: (67) 99180-0542, para ligações e WhatsApp.
  • Delegacias da Mulher no interior: Aquidauana, Bataguassu, Corumbá, Coxim, Dourados, Fátima do Sul, Jardim, Naviraí, Nova Andradina, Paranaíba, Ponta Porã e Três Lagoas.

Para denunciar negligência policial: Corregedoria da Polícia Civil de MS (67) 3314-1896; Gacep/MPMS (67) 3316-2836, (67) 3316-2837 e (67) 9321-3931.

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O papel das mulheres na preservação das tradições

A transmissão oral de mitos, receitas ancestrais e técnicas de cerâmica nas comunidades tradicionais e quilombolas do estado é mantida viva e forte através do protagonismo das mulheres mais velhas.

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