Justiça aceita denúncia contra grupo que usava bitcoin para lavar dinheiro em MS
A 1ª Vara Federal de Naviraí aceitou parcialmente a denúncia do Ministério Público Federal (MPF) contra 10 pessoas envolvidas em um esquema de contrabando e lavagem de dinheiro com criptomoedas em Mato Grosso do Sul. O grupo foi alvo da Operação Buena Vita, da Polícia Federal, deflagrada em 2022.
Como funcionava o esquema criminoso
Segundo a denúncia, a quadrilha operava a partir de uma loja em Salto del Guairá (Paraguai), de onde coordenava a entrada ilegal de celulares e eletrônicos no Brasil. Os criminosos usavam aplicativos de mensagens para cotações, além de olheiros, batedores e veículos com compartimentos ocultos para transportar a mercadoria.
Um dos envolvidos teria a função de avisar o grupo sobre apreensões e oferecer propina a servidores públicos para liberar as cargas. Em uma ocasião, ele confessou ter oferecido R$ 40 mil para agentes de segurança recuperarem os produtos contrabandeados.
Lavagem com bitcoin e “dólar-cabo”
O dinheiro obtido com o crime era lavado por meio do chamado “dólar-cabo”, método usado para enviar e receber valores do exterior sem passar pelo Banco Central. Os montantes eram pulverizados em contas de laranjas e depois convertidos em grandes quantias em bitcoins.
Denúncia aceita parcialmente
O MPF denunciou 13 pessoas por organização criminosa, descaminho e contrabando. O juiz federal, no entanto, aceitou parcialmente a acusação contra 10 pessoas, dividindo as responsabilidades:
- 6 pessoas responderão por organização criminosa
- 4 pessoas responderão por descaminho e contrabando
A Justiça entendeu que alguns investigados integravam a quadrilha, enquanto outros atuavam apenas na parte operacional.
Operação Buena Vita e bens bloqueados
A Polícia Federal iniciou as investigações após denúncia anônima ao MPF sobre descaminho de eletrônicos em larga escala. Os agentes descobriram que os suspeitos ostentavam padrão de vida incompatível com a renda declarada, exibindo ganhos ilícitos nas redes sociais.
A Justiça expediu 17 mandados de busca e apreensão em empresas de Mundo Novo (MS) e Guaíra (PR). Também foram bloqueados bens e valores até o limite de R$ 3.969.537,00, com sequestro de imóveis, veículos e contas bancárias em todo o país, inclusive de possíveis laranjas.
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