Messi encerra carreira na Argentina: do equívoco à glória eterna
A história entre Lionel Messi, um dos maiores jogadores de todos os tempos, e a seleção argentina começou com um equívoco. Em 2004, um funcionário da AFA ligou para a casa da família em Barcelona pedindo para falar com “Leonardo” — uma confusão com o nome Leo. A intenção era recrutar o jovem talento antes que a Espanha o naturalizasse. A partir daí, Messi viveu uma montanha-russa de emoções com a camisa alviceleste, entre críticas, lágrimas e, finalmente, glória.
O início: um telefonema equivocado
O funcionário da AFA havia recebido ordem do presidente Julio Grondona para encontrar Leo Messi. Como o menino morava na Espanha, mas era de Rosário, o empregado concluiu que “Leo” era apelido de Leonardo. O equívoco levou a um amistoso improvisado da seleção sub-20 contra o Paraguai, suficiente para garantir que Messi não pudesse defender outro país.
Anos de frustração e comparações
Enquanto empilhava títulos pelo Barcelona, Messi enfrentava críticas por não repetir o sucesso na Argentina. Após a Copa de 2010, sem marcar gols, questionaram sua personalidade. Na Copa América de 2011, a pergunta era por que ele não mostrava o mesmo futebol. As derrotas nas finais de 2014 (Mundial), 2015 e 2016 (Copa América) renderam o rótulo de “geração do quase”. “Não é para mim”, disse após a derrota nos pênaltis para o Chile em 2016, quando anunciou a primeira aposentadoria — depois revertida.
A virada e a consagração
A lua de mel começou na Copa América de 2019, quando Messi mostrou uma faceta nunca vista: raiva e contestação. Após a eliminação para o Brasil, ele criticou a Conmebol e foi expulso na disputa pelo terceiro lugar. A partir dali, o “novo Messi” liderou a Argentina a conquistas históricas:
- Copa América 2021: vitória sobre o Brasil no Maracanã, quebrando jejum de 28 anos sem títulos.
- Finalíssima 2022: domínio sobre a Itália, com atuação antológica.
- Copa do Mundo 2022: campanha maradoniana, culminando com o título e a icônica imagem beijando a taça.
- Copa América 2024: bicampeonato continental, consolidando o legado.
Mesmo na derrota na final da Copa de 2026 contra uma Espanha superior, Messi teve atuações históricas, enquanto lidava com a doença do pai em Rosário. “Tudo o que sempre quis foi ganhar títulos pela seleção”, repetiu ele.
O legado
Para muitos especialistas, como Pep Guardiola, Xavi e Gary Lineker, Messi é o maior de todos. Pelé, porém, discordava. Mas, se é impossível definir o maior, o agora ex-camisa 10 argentino está no panteão dos gigantes. Sua aposentadoria da seleção, anunciada nesta segunda-feira (31), encerra uma história que começou com um telefonema errado e terminou em glória eterna.
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