Médico preso por feminicídio culpa irmão de vítima e vai para o Garras
O médico cardiologista João Jazbik Neto, de 78 anos, foi preso novamente na tarde desta quinta-feira (3) após o desembargador Emerson Cafure revogar a liminar que concedeu liberdade provisória a ele. Réu pelo feminicídio da ex-companheira Fabíola Marcotti, de 51 anos, ele foi encaminhado para a sede do Garras (Delegacia de Repressão a Roubo a Banco, Assaltos e Sequestros), onde aguarda audiência de custódia.
Ao sair da 1ª Deam (Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher), o médico culpou novamente o irmão da vítima pela morte. “Eu não matei a Fabíola. O episódio que aconteceu com a Fabíola, eu acho que foi um problema do irmão dela ser inimigo da família”, afirmou.
Médico nega agressões e fala em respeito
João Jazbik Neto disse à reportagem que nunca agrediu nenhuma mulher. “Eu nunca dei um beliscão em mulher nenhuma. A Fabíola sempre foi respeitada; ela tinha o problema dela.” Ele afirmou que o casal tinha um projeto de vida conjunto, até a interferência do irmão da vítima.
Diário de Fabíola revela violência psicológica
Apesar da versão do médico, um diário escrito pela vítima a próprio punho contradiz a narrativa. Em folhas de uma caderneta, Fabíola descrevia a violência psicológica sofrida no casamento desde 2022. O último texto foi escrito em 16 de maio, dias antes da morte.
Para a polícia, a violência psicológica foi a base do feminicídio. “O agressor não matou Fabíola apenas com um golpe e um tiro: ele a matou lentamente, dia após dia”, diz trecho da investigação.
Relembre o caso
Fabíola foi encontrada morta com um tiro na cabeça em sua casa, na Chácara dos Poderes, em Campo Grande, no dia 18 de maio. O médico acionou a polícia e alegou suicídio. Aos policiais, disse que a esposa subiu para o quarto e, após um disparo, ele a encontrou caída.
O cardiologista foi preso no dia da morte por posse irregular de arma de fogo. A 1ª Deam investiga o caso, e familiares da vítima esperam conclusão com rigor técnico.
Canais de ajuda e denúncia
- Casa da Mulher Brasileira: Rua Brasília, s/n, Jardim Imá, Campo Grande, 24h.
- Ligue 180: Central de Atendimento à Mulher, anônimo, 24h.
- Ligue 190: Emergência policial.
- Promuse (WhatsApp): (67) 99180-0542.
- Corregedoria da Polícia Civil de MS: (67) 3314-1896.
- Gacep (MPMS): (67) 3316-2836, (67) 3316-2837 e (67) 9321-3931.
O teatro de rua que ocupa as praças
Coletivos de teatro independente de Campo Grande transformaram as praças centrais em palcos abertos, promovendo festivais anuais que levam artes cênicas e crítica social para perto da população.
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