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Policial

Defesa alega que perícia confirma carta de despedida de fisioterapeuta

Defesa do cardiologista preso por feminicídio afirma que perícia confirmou a letra da fisioterapeuta em carta de despedida.
Por Roberto Vieira - Meu MS News
Publicado em 04/09/2026 - 10:08 | Meu MS News
Defesa alega que perícia confirma carta de despedida de fisioterapeuta
João Jazbik saindo da Deam. (Foto: Madu Livramento, Midiamax)

Defesa do cardiologista preso por feminicídio afirma que perícia confirmou a letra da fisioterapeuta em carta de despedida. O advogado José Belga Trad representa João Jazbik Neto, de 78 anos. Ele disse ao Jornal Midiamax que a vítima escreveu o texto dois dias antes de morrer.

Fabíola, que era fisioterapeuta, foi encontrada sem vida com um tiro na cabeça. O caso ocorreu em maio deste ano, no bairro Chácara dos Poderes, em Campo Grande. O cardiologista foi denunciado por feminicídio e preso pela terceira vez na quinta-feira (3).

Perícia confirmou letra em carta de despedida

“Essa é uma carta que a Fabíola escreveu na antevéspera da sua morte”, afirmou o advogado. “Nessa carta, com a letra dela, a perícia atestou que a letra é dela.” Segundo ele, a carta mostra que Fabíola “já estava imbuída do propósito de fazer o que fez” e registrou uma despedida.

No dia 28, o Jornal Midiamax noticiou a existência de textos escritos a próprio punho em folhas de caderno. O feminicídio de Fabíola foi antecedido por inúmeros pedidos de socorro silenciosos: “SOCORRO, SOCORRO, SOCORRO”.

Defesa cita mensagens e pede liberdade

A defesa também citou uma troca de mensagens entre a vítima e um sobrinho na véspera da morte. “Foi juntado no processo o relatório das conversas do celular da Fabíola. Nas conversas com um sobrinho, ele notou que ela estava muito deprimida”, disse Trad.

Para o advogado, a prisão é “totalmente desnecessária” e o cliente tem o direito de responder ao processo em liberdade. Ele afirmou que Jazbik foi quem chamou a polícia para atender a ocorrência.

Médico nega autoria e culpa irmão da vítima

João foi preso na tarde de quinta-feira (3) por equipe da 1ª Deam (Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher). Ao chegar à delegacia, negou a autoria e culpou o irmão de Fabíola. “Eu não matei a Fabíola; eu vivia com ela em lua de mel e a família dela sabe”, disse.

Depois, ao ser encaminhado ao Garras, voltou a repetir a acusação. O Garras é a Delegacia de Repressão a Roubo a Banco, Assaltos e Sequestros. “O episódio que aconteceu com a Fabíola, eu acho que foi um problema do irmão dela ser inimigo da família. A mãe dela tinha um aneurisma de barriga; ele veio de São Paulo de mão aberta e falou: ‘Eu vou cuidar disso’. Levou dois dias operando, foi para o CTI e morreu”, completou.

Audiência de custódia e prisão especial

Nesta sexta-feira (4), João passa por audiência de custódia no Fórum Heitor Medeiros. A Justiça verificará o cumprimento dos direitos constitucionais. Em seguida, o médico deve ser colocado em prisão especial. A medida foi determinada por causa da idade e das condições de saúde dele.

Como a vítima foi encontrada morta

Fabíola foi encontrada morta com um tiro na cabeça em casa, no dia 18 de maio. O médico acionou a polícia e disse que a esposa teria cometido suicídio. Quando os militares chegaram, encontraram o médico e equipes do Corpo de Bombeiros, que já haviam constatado o óbito.

Segundo o registro policial, Jazbik contou que Fabíola fez atividades de rotina e subiu para o quarto do casal. Ele estranhou a demora e foi verificar, mas encontrou a porta fechada. Depois de descer e ligar para ela sem sucesso, ouviu um disparo. Quando retornou, viu a porta aberta e a companheira caída. Ele não soube precisar o horário exato.

O médico acionou o ex-caseiro, que chegou ao imóvel pelos fundos. Ele e os atuais caseiros foram até o quarto e acionaram o 190.

Canais de ajuda à mulher em MS

Em Campo Grande, a Casa da Mulher Brasileira fica na Rua Brasília, s/n, no Jardim Imá. O local funciona 24 horas, inclusive aos fins de semana. No local funcionam serviços da Deam, Defensoria Pública, Ministério Público e Vara Judicial de Medidas Protetivas. Há também atendimento social e psicológico, alojamento, brinquedoteca, Patrulha Maria da Penha e Guarda Municipal.

  • Casa da Mulher Brasileira: Rua Brasília, s/n, Jardim Imá, Campo Grande; telefone 153.
  • Central de Atendimento à Mulher: 180, com orientação e encaminhamento, mas não atende emergências.
  • Emergências: 190.
  • Promuse: (67) 99180-0542 para ligações e WhatsApp.

As DAMs estão localizadas em Aquidauana, Bataguassu, Corumbá, Coxim, Dourados, Fátima do Sul, Jardim, Naviraí, Nova Andradina, Paranaíba, Ponta Porã e Três Lagoas.

Denúncias contra a atuação policial podem ser feitas na Corregedoria da Polícia Civil de MS pelo telefone (67) 3314-1896. No Gacep, do MPMS, os telefones são (67) 3316-2836, (67) 3316-2837 e (67) 9321-3931.

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O artesanato em couro cru nas fazendas

A selaria artesanal é uma arte secular mantida viva nas fazendas pantaneiras, onde artesãos moldam o couro cru sem aditivos químicos para criar laços, arreios e mantas extremamente resistentes.

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