Escobar brasileiro: ex-major da PMMS volta a julgamento por tráfico
Julgamento retomado após suspeição
O Tribunal retomou o julgamento que estava paralisado desde fevereiro, quando os juízes declararam suspeição. Além de Carvalho, também vai a julgamento Flor Besser, apontado como figura-chave da organização criminosa. Besser está preso desde fevereiro de 2022. Ao todo, 31 suspeitos respondem no processo, que pode durar vários dias.
Quem é o ‘Escobar brasileiro’?
Conhecido na Europa como “Escobar brasileiro”, Sérgio Roberto de Carvalho foi um dos criminosos mais procurados do mundo. Ele foi preso em 21 de junho de 2022 em um hotel de luxo em Budapeste, na Hungria. Em junho deste ano, foi deportado para a Bélgica sob forte aparato policial. Investigações da Polícia Federal apontam que ele liderava uma organização criminosa responsável pelo envio de 45 toneladas de cocaína para a Europa, movimentando R$ 2,25 bilhões.
Farsa da morte na Espanha
Acusado de crimes no Brasil e na Espanha, o ex-major chegou a ser declarado morto pela própria defesa. Em 2020, o advogado notificou a Justiça de Pontevedra (Espanha) sobre a morte de “Paul Wouter”, identidade falsa usada por Carvalho no país. A certidão de óbito nunca foi apresentada, e a defesa alegou que o corpo foi cremado. Expulso da PMMS em 2018, Carvalho morava na Espanha, onde tinha uma mansão de 2 milhões de euros.
Histórico de crimes
Carvalho acumula condenações e envolvimento em diversos crimes desde os anos 1980. Confira alguns dos principais:
- 1988: denunciado por contrabando de pneus do Paraguai.
- 1997: preso com 237 kg de cocaína em uma fazenda, condenado a 16 anos, mas solto.
- 1999: flagrado com celular e fax na cela do Presídio Militar de Campo Grande; também foram encontrados US$ 180 mil e R$ 27 mil.
- 2001: denunciado por falsificar atestado de trabalho para redução de pena.
- 2004: denunciado por adulteração de combustível em postos que gerenciava.
- 2007/2009: preso nas operações Xeque-Mate e Las Vegas, por exploração de cassinos.
- 2018: preso na Espanha por tráfico de 1,7 tonelada de cocaína, mas liberado.
- 2019: condenado a 15 anos por lavagem de dinheiro (Operação Enterprise).
Maior operação do ano da Polícia Federal
A operação que levou à prisão de Carvalho também prendeu 37 pessoas no Brasil, além de 1 no Panamá, 1 na Colômbia e 1 na Espanha. Foram apreendidos 200 kg de cocaína, 61 veículos, 5 motos, 4 caminhões, 1 jet-ski e 16 armas de fogo. O patrimônio bloqueado inclui imóveis, carros de luxo, joias e 37 aeronaves (uma delas avaliada em US$ 20 milhões). O dinheiro apreendido somou R$ 1,14 milhão, US$ 169,3 mil, € 9 mil e 1.120 dirhams. Foram expedidas 215 ordens judiciais, com 66 mandados de prisão e 149 de busca e apreensão.
A organização criminosa era dividida em sete grupos no Brasil, responsáveis pela logística do envio de cocaína para a Europa por portos, barcos de pesca e cargas de frutas. A ação conjunta com a Receita Federal foi considerada a maior do ano no combate à lavagem de dinheiro do tráfico.
O som da percussão nos terreiros urbanos
A cultura afro-mato-grossense mantém viva a herança dos batuques e festas de tambor em bairros periféricos da capital, unindo ancestralidade, religiosidade e resistência cultural nas periferias.
Divulgue sua empresa para todo o Mato Grosso do Sul. Contatos: [email protected]