MPF denuncia ‘milícia privada’ por morte de indígena em conflito em Iguatemi
O Ministério Público Federal (MPF) denunciou sete pessoas pela morte do indígena Vicente Fernandes Vilhalva, de 36 anos, ocorrida em novembro de 2023 em uma fazenda na zona rural de Iguatemi, Mato Grosso do Sul. O conflito também resultou na morte de Lucas Fernando da Silva, de 23 anos, e deixou duas pessoas feridas.
Ocupação e reação armada
Segundo a denúncia, nos dias 2 e 3 de novembro, integrantes da comunidade indígena Pyelito Kue ocuparam parte da fazenda alegando retomada de território tradicional. Os proprietários, então, teriam contratado uma empresa de segurança para expulsar os indígenas sem ordem judicial.
O MPF afirma que a empresa atuou como uma milícia privada, usando armas de fogo e artefatos de efeito moral. O ataque ao acampamento ocorreu na madrugada de 16 de novembro, resultando na morte de Vicente e nos ferimentos de dois ocupantes.
Morte acidental e fraudes
Na manhã do mesmo dia, durante a demolição dos barracos, um dos proprietários, ao operar uma pá carregadeira, teria atropelado e matado o vigilante Lucas Fernando. O MPF também aponta tentativa de ocultar provas: limpeza de armas, reposição de munições e produção de fotos encenadas para enganar a polícia.
Acusações e pedidos da Justiça
O MPF imputa a cinco pessoas os crimes de constituir, integrar ou manter milícia privada. Três deles também são acusados de fraude processual. O órgão pediu o recebimento da denúncia, a citação dos envolvidos e a manutenção da prisão preventiva de um deles, além de medidas cautelares contra outro.
O som da percussão nos terreiros urbanos
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