Ex-diretor da PED criou organização criminosa com propina R$ 300 mil
O MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) denunciou 11 pessoas investigadas na Operação Sátrapa, deflagrada pela Ficco-MS. Parte dos denunciados, incluindo o ex-diretor da Penitenciária Estadual de Dourados (PED) Rangel Schveiger, é apontada por desenvolver uma organização criminosa dentro da penitenciária. As investigações começaram em 2024, após informações de que um policial penal estaria ingressando na PED com drogas e celulares.
Denunciados incluem servidores públicos e presos
Na lista, constam os nomes de seis servidores públicos: Rangel Schveiger, ex-diretor; os policiais penais Aluizio Boteiro Chastel Villazante, Eduardo Trigueiro dos Santos Silva, Gislaine de Souza Fonseca Schveiger e Mauro Pereira dos Santos; e Rafael Garcia Ribeiro, servidor da Sejusp. Também são mencionados a advogada Aline Guerrato Foroni, Eduardo de Jesus de Oliveira (conhecido como ‘Cachoeirinha’), Herberte Gonçalves Mareco (‘Filho PM Aposentado’), Luciano da Silva Cunha (‘Pescoço de Frango’) e Luis Élio Gonçalves Filho (‘Cabeça de Porco’ ou ‘Gordão’), atualmente preso em Catanduvas (PR).
Pagamentos de até R$ 300 mil
Conforme a denúncia, a partir de setembro de 2024 até fevereiro de 2025, Rangel, Mauro, Aline e Luis Élio desenvolveram uma organização criminosa dentro da PED. Eles recebiam valores de presos e familiares para facilitar o tráfico de drogas, porte de arma e entrada de celulares. Os pagamentos incluíam:
- R$ 9 mil: Recebidos por Mauro e Rangel para permitir a entrada de celulares na unidade.
- R$ 300 mil: Quantia paga por um preso para ter exclusividade na venda de drogas e portar uma pistola calibre 9 mm dentro da unidade.
- R$ 10 mil: Recebidos por Aluizio, vice-diretor da Gameleira II, para atender interesses de internos.
O preso que pagou R$ 300 mil, conhecido traficante de Dourados, ingressava com drogas na unidade, e a venda era feita por intermédio de ‘Pescoço de Frango’, pessoa de confiança com livre acesso ao diretor.
Entrada de celulares e drogas
Em fevereiro de 2024, o policial penal Mauro entrou na PED com dois celulares e dois carregadores. Câmeras de segurança flagraram ele levando os itens para o interior da unidade. Ainda, a advogada Aline, junto ao seu esposo ‘Cabeça de Porco’, ofereceu vantagens indevidas a servidores para garantir facilidades como vaga em estudo, trabalho, leitura e transferências de internos, além de influir na rotina carcerária em favor de Luis Élio.
Em troca dos valores, Eduardo Trigueiro, da Gameleira II, deixava de praticar atos de ofício ou falsificava documentos de remição de pena, favorecendo Luis Élio com objetivo de acelerar sua progressão de regime.
Posição da Agepen
Procurada, a Agepen (Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário) informou que acompanha as investigações e que todas as medidas administrativas necessárias foram adotadas.
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