Condenados a até 14 anos por contrabando de cigarros em Itaquiraí
A Justiça Federal em Mato Grosso do Sul condenou dois homens a 12 e 14 anos de prisão por integrarem uma organização criminosa especializada no contrabando de cigarros do Paraguai. O grupo tinha base em Itaquiraí, na região sul do estado.
Investigação e operações da PF
Em julho de 2021, a Polícia Federal deflagrou as operações Celeritas e Greasy Money para desarticular a quadrilha. Foram cumpridos 30 mandados de prisão preventiva e 31 mandados de busca e apreensão. Entre os presos estavam Rivaldo dos Santos Moreira e Adilson Costa de Souza.
De acordo com o Ministério Público Federal, a atuação da organização começou antes de 2017, quando as investigações tiveram início. A partir de maio de 2019, foi identificada atividade estável e estruturada do grupo.
Três fatos denunciados
A denúncia aponta três episódios principais:
- Organização criminosa: o grupo manteve atividades entre maio de 2019 e janeiro de 2020 em Itaquiraí, comprovadas por interceptações telefônicas e monitoramento.
- Primeira apreensão: em agosto de 2019, foram apreendidas 800 caixas de cigarros em Itaquiraí.
- Segunda apreensão: em outubro de 2019, foram apreendidos sete caminhões e 4,2 mil caixas de cigarros.
Papéis dos condenados
Conforme o MPF, cada réu desempenhava funções específicas na quadrilha:
- Adilson Costa de Souza (conhecido como “Cobra”, “Cobrinha” ou “Piramboia”): coordenava a rede de vigilância e apoio. Geria olheiros, definia pontos de observação, determinava turnos, controlava frequências de rádio e providenciava equipamentos de comunicação.
- Rivaldo dos Santos Moreira (conhecido como “Piripaque”): atuava como olheiro ou mateiro, monitorava o deslocamento de forças policiais (como o DOF) em postos estratégicos, repassava alertas em tempo real e treinava novos olheiros no uso de códigos e frequências.
Decisão judicial
O juiz federal Hugo Lazarin, da 1ª Vara Federal de Naviraí, destacou que as provas mostram um grupo bem articulado, que não se intimidou com as primeiras apreensões. “O relatório-síntese da Operação Celeritas consolidou os dados, individualizou integrantes, descreveu funções e relacionou comunicações aos eventos. Desse conjunto emerge estrutura com mais de quatro pessoas, divisão funcional, hierarquia, remuneração, equipamentos, pontos de vigilância, rotas e turnos, mantida de forma estável por meses, voltada ao contrabando de cigarros paraguaios”, afirmou.
Rivaldo foi condenado a 12 anos de prisão e Adilson a 14 anos. A prisão preventiva foi mantida enquanto houver possibilidade de recurso.
O líder do grupo, Gabriel Figueiredo Melato (o “Cavalo”), já havia sido condenado em dezembro de 2022 a 13 anos, dois meses e 20 dias por organização criminosa e contrabando. Rivaldo foi preso em agosto de 2026 em Umuarama (PR), após cinco anos foragido.
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