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Policial

Atropelamento seguido de morte na BR-463 é reclassificado para feminicídio em MS

Polícia Civil investiga como feminicídio a morte de Wandete Góis da Silva, de 58 anos, atropelada pelo marido na BR-463, em Ponta Porã.
Por Roberto Vieira - Meu MS News
Publicado em 17/09/2026 - 09:47 | Meu MS News
Atropelamento seguido de morte na BR-463 é reclassificado para feminicídio em MS
Mulher morreu no local do acidente. (Foto: Reprodução, Ponta Porã News)

A Delegacia de Polícia de Ponta Porã alterou a tipificação do caso de Wandete Góis da Silva, de 58 anos, de homicídio culposo para feminicídio. A mudança foi confirmada pela Polícia Civil de Mato Grosso do Sul, que agora investiga o crime sob nova perspectiva. A vítima morreu no dia 2 de agosto, após ser atingida pelo veículo dirigido pelo companheiro na BR-463, no distrito de Sanga Puitã.

Mudança na tipificação do crime

O caso, inicialmente registrado como homicídio culposo, passou a ser tratado como feminicídio após o depoimento do suspeito e a análise das circunstâncias. O marido de Wandete se apresentou à delegacia na manhã seguinte ao ocorrido, alegando que ela “se jogou” contra o carro e que ele não teria percebido o impacto. Mesmo assim, ele deixou o local sem prestar socorro.

A Polícia Civil esclareceu ao Jornal Midiamax que o inquérito está em andamento. “Houve alteração na tipificação para feminicídio, mas o inquérito ainda está em andamento; por este motivo, não poderemos repassar mais informações para não prejudicar o curso das investigações”, afirmou a corporação.

Mês de agosto é o mais letal do ano

Com a nova classificação, agosto tornou-se o mês com o maior número de feminicídios em Mato Grosso do Sul em 2025, totalizando oito casos. O estado já soma 28 ocorrências do tipo neste ano, segundo dados oficiais divulgados até o momento.

O último caso confirmado foi o de Vera Lucia Rossate da Cunha, assassinada em Campo Grande no dia 16 de agosto, dentro de seu comércio de aviamentos e cosméticos. O autor foi o irmão dela, que tirou a própria vida após o crime.

Canais de denúncia e apoio à mulher

Diante do cenário alarmante, as autoridades reforçam a importância de denunciar qualquer tipo de violência contra a mulher. Em Mato Grosso do Sul, a Casa da Mulher Brasileira, em Campo Grande, funciona 24 horas na Rua Brasília, s/n, no Bairro Jardim Imá, oferecendo acolhimento psicológico, orientação jurídica e encaminhamento para a Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam).

Além da Deam, o espaço conta com Defensoria Pública, Ministério Público, Vara Judicial de Medidas Protetivas, Patrulha Maria da Penha e Guarda Municipal. O contato pode ser feito pelo telefone 153 ou pelo número de emergência 190.

Outro canal importante é a Central de Atendimento à Mulher – 180, que funciona 24 horas, inclusive em feriados e fins de semana. O serviço acolhe, orienta e encaminha as vítimas para a rede de proteção, mas não deve ser usado em emergências. Já no Promuse (Programa de Monitoramento de Violência contra a Mulher), as denúncias podem ser feitas pelo telefone/WhatsApp (67) 99180-0542.

Delegacias da Mulher no interior

As DAMs (Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher) estão presentes em 11 municípios de Mato Grosso do Sul: Aquidauana, Bataguassu, Corumbá, Coxim, Dourados, Fátima do Sul, Jardim, Naviraí, Nova Andradina, Paranaíba, Ponta Porã e Três Lagoas.

Quando a Polícia Civil agir com negligência ou má conduta, é possível denunciar à Corregedoria da Polícia Civil de MS pelo telefone (67) 3314-1896 ou ao Gacep (Grupo de Atuação Especial de Controle Externo da Atividade Policial), do MPMS, pelos números (67) 3316-2836 e (67) 3316-2837.

O feminicídio em Mato Grosso do Sul preocupa autoridades, e a orientação é que a população denuncie. Não se cale.

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