Dívida de R$ 57,5 milhões escancara má gestão no Consórcio Guaicurus
O relatório sobre a intervenção no Consórcio Guaicurus, concessionária do transporte coletivo de Campo Grande, aponta uma dívida total de R$ 57,5 milhões. O montante inclui parcelamentos fiscais, débitos trabalhistas e pendências com fornecedores, evidenciando a má gestão do serviço.
Dívidas com Receita Federal e fornecedores
Do total, a maior parte — R$ 31.290.516,92 — é referente a parcelamentos fiscais com a Receita Federal. Há ainda um parcelamento de R$ 183.787,77 com o Ibama, por multas ambientais. O restante das dívidas é com fornecedores:
- Títulos vencidos de diesel: R$ 5.864.950,72
- Débitos com demais fornecedores: R$ 2.147.858,00
- INSS e IRRF vencidos (não parcelados): R$ 4.856.832,78
Esse último valor representa tributos retidos diretamente da folha de pagamento dos trabalhadores, mas não repassados aos cofres públicos.
Situação financeira crítica
A intervenção encontrou um saldo de apenas R$ 415 mil em caixa, insuficiente para pagar a folha de pagamento dias depois. Além disso, linhas de crédito estavam estouradas em R$ 13 milhões.
Contingências podem elevar dívida para R$ 123 milhões
O passivo de R$ 57,5 milhões não inclui contingências judiciais. Entre elas, uma condenação de R$ 30 milhões por dano moral coletivo (ainda em recurso) e cerca de R$ 22,5 milhões em processos cíveis de indenizações a vítimas de acidentes. Somam-se ainda apurações de possível fraude fiscal, como transferência de R$ 32 milhões a outra empresa do grupo e venda irregular de imóvel — fatos sob investigação.
Consórcio recebeu R$ 52 milhões em subsídios
Dados da Prefeitura indicam que o Consórcio Guaicurus teve receita de R$ 1,2 bilhão nos primeiros sete anos de concessão e aumento patrimonial de 321%. O relatório destaca que as deficiências no serviço não se encerram com a recuperação de veículos. O município contesta na Justiça a falta de contrapartida dos R$ 52 milhões em subsídios recebidos sem melhorias.
Resposta do Consórcio Guaicurus
Procurado, o Consórcio afirmou que a dívida reflete o desequilíbrio econômico-financeiro do contrato, causado pela falta de revisão contratual em 2019 e 2026 e pelo atraso no pagamento integral do subsídio tarifário. A empresa alega que as falhas apontadas no relatório não decorrem de sua gestão, mas da postura da Prefeitura de Campo Grande. O Consórcio disse que continuará apresentando seus argumentos nos autos do processo.
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